Livro de professor da UFRN sobre arte e ativismo é publicada por editora de Nova Iorque

O livro Critical Art Ensemble: The Artistic War Machine and the Anthropotechnical Arsenals of Revolt, de autoria do professor Lucas Fortunato, do Instituto Humanitas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi lançado nos Estados Unidos pela editora Autonomedia, de Nova Iorque.

A obra tem origem na tese de doutorado desenvolvida pelo autor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS/UFRN), sob orientação do professor Alex Galeno. Durante o doutorado, a pesquisa contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Após a defesa da tese, em 2019, o trabalho foi reformulado e publicado no Brasil, em 2022, pela Editora Appris, de Curitiba. A tradução para o inglês recebeu financiamento parcial da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PPG/UFRN), resultando em uma versão revisada lançada em 2026 pela Autonomedia.

A pesquisa analisa o coletivo de arte ativista Critical Art Ensemble (CAE) e apresenta uma reflexão sobre a máquina de guerra artística e os arsenais antropotécnicos de revolta desenvolvidos pelo grupo. Segundo o autor, a tese defende que o CAE se destaca como uma das mais expressivas máquinas de guerra artística na história da arte-revolta e que o paradigma estético do distúrbio, colocado em prática pelo coletivo, possui potencial emancipatório diante dos mecanismos de captura do desejo e das subjetividades.

A ideia de traduzir a obra para o inglês surgiu a partir de diálogos com Steve Kurtz, integrante do Critical Art Ensemble, que demonstrou interesse pela pesquisa ao conhecer a edição brasileira. De acordo com o autor, apesar da influência internacional do coletivo, não havia, até então, uma obra com abordagem abrangente dedicada exclusivamente ao CAE e às suas produções.

O livro apresenta uma contextualização histórica do coletivo e analisa seus arsenais de guerra artística a partir de referenciais teóricos, filosóficos e sociológicos, dialogando com movimentos de vanguarda artística, mídia tática, resistência eletrônica e bioativismo. A obra também propõe, pela primeira vez, uma abordagem histórica, social e micropolítica da nomadologia da máquina de guerra artística.

A edição internacional foi publicada pela Autonomedia, editora norte-americana fundada nos anos 1980. Durante sua criação, a Autonomedia colaborou com a editora Semiotext(e), responsável pela introdução, em língua inglesa, de obras de pensadores como Michel Foucault, Gilles Deleuze, Félix Guattari, Paul Virilio e Jacques Derrida. Posteriormente, consolidou uma linha editorial voltada à arte, ativismo, cultura e mídia radicais, publicando centenas de títulos, entre eles Zona Autônoma Temporária, de Hakim Bey.

A nova edição de Critical Art Ensemble: The Artistic War Machine and the Anthropotechnical Arsenals of Revolt está disponível no site da Autonomedia e em outras plataformas on-line.

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