Curso de acessibilidade textual busca democratizar linguagem

Em um mundo cada vez mais digital, o acesso à informação é um direito ainda mais importante. Apesar disso, para muitas pessoas, as barreiras na comunicação escrita ainda são uma realidade cotidiana. Pensando nessa problemática, o II Colóquio sobre revisão de textos, organizado pelo Centro de Ciências Humanas, Artes e Letras (CCHLA/UFRN) e pela Editora da UFRN (EDUFRN)  trouxe o minicurso “Acessibilidade Textual: princípios e práticas”. A palestra recebeu professores, alunos e pesquisadores e foi ministrada pelo professor José Muniz, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET/MG), na tarde desta quarta-feira, 13, no Instituto Ágora.

Maria* (personagem fictícia) é uma pessoa idosa e, como várias outras na sua faixa etária, sofre com a dificuldade em ler a bula do próprio remédio, devido ao texto extenso e à fonte pequena, o que lhe causa frustração e sensação de incapacidade. Estratégias da linguística podem resolver problemas como os enfrentados por Maria, que inquietam a população com dificuldade de visão, baixa escolaridade, pessoas com deficiência e refugiados. Durante a palestra, foram apresentados diversos princípios para tornar um texto acessível e de fácil compreensão, aplicáveis a todos os gêneros textuais, por meio da linguagem simples.

A preocupação com o público-alvo do texto foi a principal questão tratada no minicurso. Para José Muniz, a linguagem simples é um exercício de empatia. “Ao colocar-se no lugar da pessoa pouco proficiente em leitura, o profissional garante maior legibilidade para todos os públicos de interesse”. Substituição de substantivos abstratos por verbos, fontes mais legíveis, uso de conectivos e palavras usuais foram algumas das estratégias indicadas pelo professor.

Legendas de obras expostas em museus em Minas Gerais foram analisadas durante a aula. A partir dos exemplos, o público pôde identificar as razões pelas quais alguns textos não são legíveis para o público. A falta de estruturas lexicais mais simples, a localização da obra, o uso de palavras difíceis de entender e frases longas tornaram os textos exemplificados inacessíveis.

O estudo da memória e a percepção de como o repertório do leitor contribui para interpretação do texto foram contemplados durante o evento. O chefe do Setor de revisão de textos da Editora da UFRN (EDUFRN), Wildson Confessor, ressalta a relevância do evento. “A acessibilidade textual é um tema que está em voga, que preconiza que os textos precisam ser acessíveis aos leitores. O leitor comum, não especializado, também consegue compreender aquilo que está sendo abordado no texto”.

O estudante de Jornalismo Guilherme Garcia é uma pessoa que tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e conta que esse público também sente dificuldades com o acesso à leitura. “Conheço pessoas que têm dificuldade. A importância da leitura para um autista também é muito crucial”, descreve. Como futuro jornalista, Guilherme revela seu sonho de ampliar a acessibilidade para essa comunidade. “Meu objetivo como jornalista é defender a inclusão”.

A ação ensina escritores a ampliar a democratização do ensino superior, diminuir os índices de analfabetismo funcional e solucionar demandas de inclusão e acessibilidade. Para isso, os profissionais terão como objetivo focar nas pessoas com menor proficiência em leitura, que precisam ler para se informar e tomar decisões importantes.

O evento

O Colóquio sobre revisão de textos é uma ação de extensão anual, aberta a toda a comunidade acadêmica interessada pela revisão de textos como atividade profissional, e ao público externo interessado pela revisão de textos. Nesta edição, o colóquio abordou temáticas como mercado editorial, Inteligência Artificial, cadeia de produção de publicações, além de acessibilidade textual nos formatos de conferência, mesa-redonda e minicursos. O evento aconteceu entre os dias 12 e 14 de novembro.

O palestrante José Muniz é especialista em acessibilidade textual   Foto – Cláudia Del Picchia

 

Os doutores Wildson Confessor e Karla Oliveira estiveram à frente da organização do evento  Foto – Cláudia Del Picchia

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