Os professores do Departamento de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Marcilio de Souza Vieira e Roberta Maria Zambon Maziero participaram, em outubro de 2026, do VII Colóquio Internacional de Estudos sobre Culturas Originárias da América, realizado em Havana, Cuba. O evento, intitulado Cosmovisões originárias: diálogos urgentes para postergar o fim do mundo, reuniu pesquisadores e representantes de comunidades indígenas de Cuba, Guatemala, México, Canadá e Brasil.
Vinculados ao curso de Licenciatura em Dança, os docentes apresentaram trabalhos que relacionam a dança às práticas sociais, à identidade, à resistência cultural e às cosmovisões indígenas. O colóquio teve caráter interdisciplinar, com discussões que envolveram estudos sociais, práticas sociais indígenas, antropologia e arte-dança.
As atividades ocorreram na Galería Haydee Santamaría, prédio anexo à Casa de las Américas, em um espaço de diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e de valorização de saberes. Os debates abordaram possibilidades de pensar e praticar a postergação do fim do mundo, conceito discutido pelo pensador indígena Ailton Krenak.
A professora Roberta Maria Zambon Maziero apresentou o painel Dançando para postergar o fim do mundo, com o trabalho A Dança do Bem Viver: celebrando e imaginando outros mundos. A exposição estabeleceu interlocuções com os estudos de Alberto Acosta, Ailton Krenak, Paulo Freire, Hanna Limulja e José Castiano, além de abordar o conceito metodológico da Dança Livre, desenvolvido durante o doutorado da pesquisadora.
O trabalho discutiu a dança como área do conhecimento envolvida em práticas sociais que promovem a sensibilização e a imaginação, sobretudo como espaço coletivo de criação de outros mundos. A apresentação também abordou a dança como uma construção social, cultural, artística e educativa, na qual a presença e o movimento dos participantes possibilitam o acesso a diferentes repertórios de experiências e impressões.
Já o professor Marcilio de Souza Vieira apresentou o trabalho Dançar para postergar o fim do mundo: o Toré como corpo território. A pesquisa abordou o Toré e sua centralidade na espiritualidade e na organização sociocultural de diversos povos indígenas do Nordeste brasileiro, incluindo os do Rio Grande do Norte.
A apresentação analisou o Toré como uma prática corporal, ritualística e política de identidade e resistência cultural, que permite compreender o corpo como espaço de experiência, percepção e produção de significados. A discussão dialogou com as reflexões de Ailton Krenak sobre as relações entre corporeidade, território, ascendência e cosmologia indígena.
Durante o evento, Marcilio de Souza Vieira também apresentou o livro O Toré e a memória dos povos indígenas potiguar (2026), resultado de pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
As apresentações e as trocas de saberes entre os participantes resultaram em um convite para a publicação dos trabalhos apresentados em uma revista da Casa de las Américas. O encontro também abriu possibilidades de futuras parcerias entre áreas do conhecimento como educação, arte, sociologia e antropologia.
