O Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) promove, nesta sexta-feira (11), um encontro/debate com o ator Odilon Wagner, que interpreta Sigmund Freud na peça “A Última Sessão de Freud”. A atividade será realizada às 9h, no Auditório Otto de Brito Guerra, localizado no prédio da Reitoria da UFRN.
O encontro terá a participação dos professores debatedores Paulo Bodziak, do Departamento de Filosofia, e da professora Cida França, do Departamento de Psicologia. A organização é da professora Izabel Hazin, do Departamento de Psicologia da UFRN.
A atividade foi articulada após o contato do ator Odilon Wagner com o Departamento de Psicologia. Segundo Izabel Hazin, encontros desse tipo têm sido realizados nas cidades onde a peça é apresentada, com a participação principalmente de estudantes de Psicologia, mas também de alunos de outros cursos, como Direito e Filosofia.
“É um evento do CCHLA aberto a todos os estudantes da universidade de forma geral e a ideia é conversar um pouco sobre a temática da peça, que discute a psicanálise. A ideia é uma conversa curta e depois com a participação dos estudantes”, explicou a professora.
Para Paulo Bodziak, a atividade representa uma aproximação entre dois espaços historicamente relacionados à formação de opinião e ao debate público: o teatro e a universidade.
“Antes de mais nada acho que é importante dizer sobre essa peça: ela trata-se de uma oportunidade, encontro entre teatro e universidade é fundamental porque a gente está falando de dois espaços com vocação histórica, formação de opinião e estímulo, o debate público de qualidade”, afirmou.
O professor também ressaltou que o encontro permite discutir elementos relacionados à história da psicanálise, da psicologia e da filosofia a partir da obra teatral, além de estabelecer relações com questões contemporâneas.
“Discutir esses elementos todos com quem produz o teatro e faz o teatro acaba sendo uma oportunidade de trazer essa reflexão sobre esses elementos psicológicos e históricos pro momento em que estamos vivendo, muitas das cenas da peça são todas situações que constituem a trama psicológica dos indivíduos que vivem naquele tempo e que hoje nós passamos por questões parecidas com o mundo cada vez mais conturbado”, declarou.
Segundo Bodziak, a proposta não é realizar uma discussão extensa, mas criar um espaço de diálogo entre estudantes, universidade e teatro.
“Você ter a universidade e teatro se unindo para ajudar e constituir esse espaço em que a gente se permita tocar nesses assuntos por alguns momentos enquanto também aprende um pouco mais sobre a história, aprende um pouco mais sobre Freud, aprende um pouco mais sobre aquilo que é feito o teatro brasileiro, torna esse momento breve, mas bastante rico e especial”, afirmou.
A professora Cida França também considera o encontro uma oportunidade para estimular a reflexão no ambiente acadêmico.
“O debate sobre a peça, sobre o teatro, a psicanálise, a literatura e as questões de nosso tempo, é fundamental para instigar a criticidade no ambiente acadêmico. A peça traz questões importantes sobre o ser humano, vida e morte. Portanto, uma oportunidade de, pelo teatro, pessoas que se interessam sobre esses temas assistirem.”
Sobre a peça
“A Última Sessão de Freud” será apresentada em Natal nos dias 12 e 13 de setembro, sábado e domingo, no Teatro Riachuelo. As sessões acontecem no sábado, às 20h, e no domingo, às 17h.
Na montagem, Odilon Wagner interpreta Sigmund Freud, pai da psicanálise, enquanto Marcello Airoldi vive o escritor, poeta e crítico literário irlandês C.S. Lewis, autor de “As Crônicas de Nárnia”. A peça apresenta um encontro fictício entre os dois intelectuais, que influenciaram o pensamento científico e filosófico da sociedade do século 20.
Na trama, Freud, crítico da crença religiosa, e Lewis, renomado professor de Oxford, crítico literário, ex-ateu e defensor da fé baseada na razão, debatem o dilema entre o ateísmo e a crença em Deus.
O texto de Mark St. Germain é baseado no livro “Deus em Questão”, escrito pelo Dr. Armand M. Nicholi Jr., professor clínico de psiquiatria da Harvard Medical School.
No gabinete de Freud, na Inglaterra, a conversa sobre a existência de Deus se amplia para temas como o sentido da vida, a natureza humana, sexo, morte e relações humanas. O espetáculo utiliza humor, sagacidade e a escuta como ponto de partida para a conversa, enquanto o sarcasmo e a ironia permeiam o diálogo.
Um dos grandes sucessos do teatro brasileiro desde 2022, a montagem dirigida por Elias Andreato já cumpriu 400 apresentações e mantém temporadas desde sua estreia, há quatro anos. A trajetória é realizada com o patrocínio da Laranjinha Itaú.
Na peça, Freud busca compreender por que C.S. Lewis, um ex-ateu e intelectual, tornou-se um cristão convicto. Ao longo do encontro, os personagens apresentam diferentes perspectivas sobre temas que permanecem relacionados a questões humanas contemporâneas.
“Essa peça é um elogio ao diálogo, tão necessário em nossos tempos. Saio do teatro todos os dias mais convicto que podemos e devemos conviver pacificamente com aqueles que pensam diferente de nós”, completa Odilon Wagner.
