Mesa redonda: “A falácia conservadora: a mito(-ideo) logia da ciência-escola neutras” reuniu bom público no auditório do NEPSA

Um projeto do deputado Rogério Marinho (PSDB/RN) apresentado em 13.05.2015, tipificando o crime de assédio ideológico no âmbito do ensino, vem causando reação em diversos setores acadêmicos, tendo o assunto despertado interesse de inúmeros alunos das ciências humanas, que lotaram o auditório do NEPSA, na tarde desta quarta, dia 12, na UFRN.

Os alunos atenderam convite do departamento de ciências sociais do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFRN e foram assistir a mesa-redonda “A falácia conservadora: a mito(-ideo)logia da ciência-escola neutras”, que teve como palestrantes os professores Alípio de Sousa Filho, do departamento de ciências sociais, e Durval Muniz de Albuquerque Junior, do departamento de história.

O objetivo da dupla foi ofertar uma discussão sobre a ofensiva conservadora atual que segundo eles, objetiva impedir a construção do pensamento crítico na produção do conhecimento e no ensino na escola brasileira, mostrando que não há ciência e escola neutras e, ao mesmo tempo, demonstrar a falácia do pensamento conservador.

O professor Alípio de Sousa começou falando sobre os efeitos da ideologia nas sociedades, abordou a questão do conjunto de mecanismos de poder e subjetividade, citou autores diversos como Marx, Hegel, Foucalt, entre outros e ressaltou que a ideologia é onipresente e atravessa todos os espaços sociais.

No fim citou o projeto do deputado Rogério Marinho, fez críticas ao mesmo e o colocou como responsável por uma possível criminalização do saber crítico caso venha a ser aprovado.

O historiador, professor Durval Muniz fez um histórico sobre a liberdade de cátedra, liberdade de expressão, alertou que podemos estar seguindo na direção de um estado de exceção e disse que não se pode penalizar as escolhas dos professores, citando leis que protegem o professor em sua autonomia para ensinar e decidir o que lhe convém em sala de aula, defendendo a pluralidade de ideias e o direito a aprendizagem dos alunos, que devem ter direito de escolha.

Ao fim responderam questões diversas e esclareceram aspectos dos seus pensamentos acerca da questão proposta para a mesa redonda.

Os professores Alípio de Sousa Filho, do departamento de ciências sociais, e Durval Muniz de Albuquerque Junior, do departamento de história ministraram a palestra para um grande público de estudantes. Fotografia de Flávio Rezende.

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