UFRN recebe exibição gratuita do documentário “Anistia 79” nesta terça-feira 8

O documentário “Anistia 79”, dirigido por Anita Leandro, será exibido gratuitamente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) nesta terça-feira (8), às 19h, no Auditório 1 do Departamento de Comunicação (Decom). A sessão ocorre por meio de uma exibição autorizada pela Embaúba Filmes, distribuidora do longa.

O filme está em cartaz em diversas cidades brasileiras, mas não terá estreia nas salas de cinema de Natal. A exibição na UFRN será gratuita e não é necessário realizar inscrição.

“Anistia 79” parte de imagens inéditas da Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, realizada em Roma, em junho de 1979. O documentário recupera registros históricos que permaneceram guardados durante décadas e acompanha as reações de pessoas que participaram da luta pela anistia no exílio diante dessas imagens.

O longa conquistou os prêmios de Melhor Filme da competição Olhos Livres e do Júri Popular na Mostra de Cinema de Tiradentes, além do Prêmio de Apoio à Distribuição no FID Marseille e de Melhor Longa-Metragem Documental no FID:Rio. O filme é uma produção original do Canal Curta! e tem distribuição da Embaúba Filmes.

Memória da luta pela anistia

As imagens utilizadas no documentário foram registradas por dois exilados durante a Conferência Internacional pela Anistia e as Liberdades Democráticas no Brasil, realizada na plenária do Senado Italiano. O encontro reuniu centenas de exilados brasileiros e defensores de direitos humanos de diferentes países, envolvidos na luta pela anistia e pelo fim da ditadura.

Os registros permaneceram guardados em um porão, em Paris, por quase meio século. Anita Leandro encontrou uma cópia do material em cassetes mini-DVs, sem som, em uma biblioteca da Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, especializada em questões políticas da América Latina.

O material foi produzido por Hamilton Lopes dos Santos, exilado em Paris durante a ditadura. Sem dinheiro e sem experiência em cinema, ele alugou uma câmera, reuniu uma pequena equipe e viajou para Roma com o objetivo de registrar o evento para as gerações futuras. Durante três dias, filmou a Conferência Internacional pela Anistia. São quase duas horas de material, rodado em 16mm, em preto e branco e com som cristalino.

A partir dessas imagens, “Anistia 79” coloca pessoas que aparecem nos registros diante dos próprios vestígios do passado. O filme estabelece um diálogo entre passado e presente e retoma o debate sobre a anistia iniciado nos anos 1970, abordando também a manutenção do aparato repressivo da ditadura e a impunidade de torturadores e militares responsáveis por crimes contra a humanidade.

Denise Crispim e a memória da ditadura

O documentário também dialoga com “Retratos de Identificação” (2014), filme de Anita Leandro que reconstitui a trajetória da exilada Maria Auxiliadora Lara Barcellos, desde sua prisão e tortura até o suicídio no exílio, em Berlim.

Em “Anistia 79”, a narrativa acompanha outra vítima da ditadura, Denise Crispim. As imagens de seu depoimento no Tribunal Bertrand Russell II, em 1974, abrem o filme. Presa e torturada quando estava grávida, Denise não consegue falar e seu testemunho é lido por um jurista.

Quatro anos antes, seu marido, o combatente Eduardo Leite, conhecido como “Bacuri”, havia sido preso, torturado por mais de 100 dias e assassinado no DOPS de São Paulo por agentes do Estado.

Décadas depois, Anita Leandro encontra Denise para mostrar-lhe imagens inéditas da Conferência de Roma. Nos registros, Denise aparece ao lado da filha, Eduarda, uma criança sorridente que nasceu na prisão e encontrou refúgio no exílio, em Roma.

Debate sobre a Lei da Anistia

O documentário chega aos cinemas em um momento em que a Lei da Anistia completa 47 anos. Sancionada em 28 de agosto de 1979 pelo último presidente da ditadura militar, general João Figueiredo, a Lei nº 6.683 permanece no centro de debates jurídicos e políticos.

A lei aprovada pelo Congresso concedeu o perdão aos que haviam cometido “crimes políticos ou conexos com estes”. Com base nessa redação, os militares se auto-anistiaram e estenderam o benefício aos agentes da repressão responsáveis por prisões ilegais, tortura, assassinatos e desaparecimento forçado de pessoas, equiparando esses crimes de Estado aos crimes políticos praticados pela resistência.

Essa interpretação continua sendo contestada por organizações de direitos humanos e especialistas, que defendem a revisão da Lei da Anistia. Considerados crimes contra a humanidade, os crimes de tortura não poderiam ter sido anistiados. Da mesma forma, o desaparecimento forçado de pessoas e a ocultação de cadáver são considerados crimes permanentes e continuados enquanto não houver esclarecimento sobre o destino das vítimas.

Ao recuperar imagens inéditas do processo que antecedeu a aprovação da Lei da Anistia, o documentário retoma um debate que permanece presente no Brasil.

Trajetória do filme

Antes da chegada aos cinemas, “Anistia 79” passou pela Mostra de Cinema de Tiradentes, Olhar de Cinema, Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), DH Fest e FID:Rio. O filme também teve sua première internacional na competição do festival FIDMarseille, onde recebeu o Prêmio de Apoio à Distribuição (Distribution Support Award).

Serviço

Exibição: “Anistia 79”
Direção: Anita Leandro
Data: terça-feira (8)
Horário: 19h
Local: Auditório 1 do Decom/UFRN
Entrada: gratuita
Inscrição: não é necessária

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