Instituto Humanitas promove curso sobre questões raciais na formação do Brasil

O Instituto Humanitas de Estudos Integrados promove o curso livre sobre questões raciais. Nele se discute sobre as práticas racistas, sua pertinência e o efeito da compreensão sobre as questões raciais no Brasil contemporâneo, que são fruto de padrões e dilemas sociais de tempos passados. A proposta de A questão racial na formação da sociedade brasileira: colonização, racismo e antirracismo em Florestan Fernandes e Lélia Gonzalez é analisar os temas de desigualdades raciais e sua ligação com a construção social do país. O curso acontecerá somente no dia 29, às 16h, de forma remota pela plataforma do YouTube.

A discussão incentiva o público a refletir sobre o tema, tendo como base os pensamentos e estudos do sociólogo Florestan Fernandes e da socióloga e ativista de movimentos raciais e feministas Lélia Gonzalez. O foco se dá na abordagem das ideias de Florestan relativas aos padrões societários, relacionados às desigualdades raciais que se desenvolvem na modernidade brasileira. Além disso, foca-se nas críticas de Lélia ao modelo da colonização ocorrida no país e suas consequências na constituição de diversas formas de racismo, na construção das identidades raciais e das práticas antirracistas.

O encontro será ministrado pelo especialista em sociologia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Aristeu Portela Júnior. Ele dá ênfase à importância dos autores escolhidos na investigação, evidenciando suas atuações na contribuição de pensamentos que vão além de análises de relações raciais, incluindo a questão do feminismo, como é visto com Lélia Gonzalez. Aristeu afirma que a atividade da autora auxiliou na compreensão de como se dão situações que ferem a sociedade negra, “violências que acometem a população negra, em particular as mulheres negras, de atuar politicamente, seja nos movimentos sociais, seja nos seus escritos, em termos intelectuais, seja na política institucional para combater essas desigualdades, seja para combater essas violências”, expõe.

Aristeu também vai apresentar o conceito do mito da democracia racial no Brasil, reunindo pensamentos de Fernandes e Gonzalez sobre como a ideia impede o reconhecimento das atitudes de racismo. O sociólogo explica que Florestan Fernandes foi responsável por inovações teóricas e metodológicas na esfera das questões raciais. “Seja a caracterização da ideia da democracia racial como um mito, seja na delimitação do que ele chamava de dilema racial brasileiro”. O princípio desse mito é antigo, mas não deixa de ter importância, além de que é concretizado no movimento negro brasileiro. O conceito também já não é mais visto na linha de denúncia, “mas como referencial conceitual para compreendermos linhas de interpretação da questão racial no Brasil”, como revela Aristeu.

Quanto ao dilema racial brasileiro, o palestrante do curso explica que tem origem na identificação de um padrão de desenvolvimento na sociedade na parte em que não há superação das desigualdades sociais vindas de um período anterior do Brasil. Trata-se de “padrões de comportamento legatários do período escravocrata, que vão sempre colocar a população negra nessa posição desigual do acesso aos bens, do acesso à riqueza, do acesso ao status social e assim por diante”, conclui.

O curso se destina a todos os discentes, docentes e público externo que tiver interesse. Para confirmar a participação, as inscrições são feitas via Sigaa e estarão abertas até o dia 29, data também da realização do curso, que será transmitido no YouTube.

via Agecom

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