A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) realiza, no dia 9 de outubro, o evento “INVENTAR AS MULHERES: no mar”, que terá como tema “A faceta feminina das viagens da expansão marítima portuguesa (séculos XV-XVII) – mulheres, fontes e desafios”. A atividade será realizada às 19h, no Auditório C – CCHLA, e contará com a participação de Mariana Caldeira Gonçalves, da Universidade de Évora, Portugal. As inscrições são realizadas pelo Sigaa.
Organizado pela BRAVAS – Brigada de Escritoras e Críticas Feministas e pelo DEHIS, o evento pretende reunir pesquisadoras que procuram resgatar a presença das mulheres na história, abordando uma realidade cujas fontes ocultam. A proposta é desenvolver um trabalho mais profundo, anti-canônico e feminista para revelar esses silêncios.
A programação também busca colocar em discussão trabalhos de pesquisa de discentes de pós-graduação que se debrucem sobre a história das mulheres, apresentados em suas diversas fases, com o objetivo de promover uma troca de ideias mais ampla e colaborativa junto à comunidade acadêmica e externa.
A primeira palestrante será Mariana Caldeira Gonçalves, Mestre em História e doutoranda em História pela Universidade de Évora (Portugal). A pesquisadora vai explorar a participação das mulheres nas viagens da expansão marítima portuguesa.
O período consiste num dos focos de estudo mais desenvolvidos da historiografia do período moderno. A face feminina da expansão marítima permaneceu, porém, uma incógnita por várias décadas, neblina justificada não só pelo desinteresse da historiografia tradicional pelo estudo da mulher, mas também pela negligência das próprias fontes da época no que diz respeito ao registo de informação sobre a mesma.
A comunicação procura dissipar o nevoeiro em torno do envolvimento feminino nas viagens marítimas portuguesas, entre os séculos XV e XVII, identificando as diversas tipologias de mulheres presentes nos navios, os motivos que as levaram a embarcar e, do mesmo modo, as expectativas e relações de gênero que se confrontavam no “microcosmo” oceânico.
A apresentação também explora os desafios oriundos da consulta de documentação cujas prioridades iam para além da mulher, assim como potenciais estratégias para contorná-los, promovendo uma visão plural da expansão marítima portuguesa.
Mariana Caldeira Gonçalves é doutoranda em História na Universidade de Évora, orientada por Maria de Deus Beites Manso (UÉvora – Portugal, UFPel) e Lúcio de Sousa (Universidade de Tóquio de Estudos Estrangeiros). Sua investigação, iniciada no mestrado com “A mulher no mar: a presença feminina a bordo na expansão marítima portuguesa”, centra-se atualmente no papel e agência das mulheres na expansão marítima portuguesa. Nesse âmbito, apresentou diversas comunicações em eventos organizados por instituições nacionais e internacionais.
O evento é voltado a estudantes e docentes de História e áreas correlatas, pesquisadores, integrantes da comunidade acadêmica e demais pessoas interessadas na história das mulheres e nas discussões sobre perspectiva feminista.
