Potiguara Sagi/Trabanda

Potiguara de Sagi/Trabanda

O povo Potiguara de Sagi/Trabanda está situado no extremo sul do litoral norte rio-grandense, no município de Baía Formosa. Conta com 159 famílias, e, em média, 453 indígenas que subsistem da pesca artesanal, coleta de frutas, agricultura de feijão, batata, macaxeira e milho e das atividades turísticas. Anualmente, a comunidade realiza a Festa do Milho, no mês de junho, época da coleta milenar desse cereal cultivado nas Américas. Tal evento conta com a participação de estudantes da região, indígenas de outras aldeias do Rio Grande do Norte e dos parentes Potiguara da Paraíba, do qual estão divididos somente pela fronteira geopolítica entre os dois estados. Os Potiguara do Sagi/Trabanda mantém relações de parentesco com os Potiguara da Paraíba, notadamente os residentes nas aldeias situadas nos municípios de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto, de onde várias famílias migraram no final do século XIX e ao longo do século XX.

A resistência desse grupo indígena, como a de tantas comunidades do Nordeste brasileiro, não está unicamente conectada com a busca pelo reconhecimento de sua identidade diferenciada, mas com a sua própria sobrevivência e a efetivação de seus direitos étnicos, uma vez que são ameaçados por várias frentes empresariais. Desde 2007, os Potiguara do litoral da baía-formosense lutam para permanecerem no território que tradicionalmente ocupam, que é disputado por empresas que veem na região grande potencial para o desenvolvimento da atividade turística e por usinas sucroalcooleiras.

Os Potiguara do Sagi/Trabanda vivem cercados por canaviais que, além de contaminar o solo e as águas com agrotóxicos, desmatam, incendeiam e provocam conflitos socioambientais, prejudicando o bem viver da comunidade, com a destruição de suas plantações e ameaças à vida da população.

O processo de demarcação territorial das comunidades do Rio Grande do Norte foi iniciado em 2015, em Sagi/Trabanda, com o consentimento do movimento indígena, devido às constantes ameaças que esse povo Potiguara vem sofrendo ao longo dos tempos.

“Potiguara é guerreiro, Potiguara é quem vai guerrear! Guerreia na terra, guerreia no mar, Potiguara é quem vai guerrear”. Fragmento de uma canção, ponto de Toré Potiguara, cantado na Aldeia Sagi. E é na força, na luta e na capacidade de resistir e recriar suas estratégias de viver em comunidade que a Aldeia Sagi-Trabanda se apresenta da beira do mar para o mundo político contemporâneo: “O rei Caracará e o Rei Jandui, a Aldeia Trabanda está aqui, a Aldeia Trabanda está aqui!”

Além disso, ao longo da última década, a atividade turística tem sido impulsionada pelos próprios membros da comunidade em virtude da intensa visitação, propiciando, sobretudo, a venda de comidas e de objetos artesanais.