Potiguara - Mendonça

Apresentação

O grupo familiar Mendonça se constituiu a partir de antecessores indígenas pertencentes às etnias Potiguara e Tapuia. Algumas famílias indígenas, de etnia potiguara, migraram do Brejo de Bananeiras – PB, a partir do século XVI, para o Rio Grande do Norte. O maior registro de migrações se deu a mais de dois séculos ocasionadas por situações de crise (epidemias de cólera, as secas, expansão colonial, etc.) (GUERRA, 2011). Esses indígenas que vieram da Paraíba foram recebidos na comunidade, uma vez que já havia o contato entre os mesmos, e se uniram aos indígenas que já habitavam o Amarelão através de laços familiares/casamentos. O Território Mendonça tem 6 aldeias localizadas em dois municípios da região do Mato Grande no Rio Grande do Norte, João Câmara e Jardim de Angicos: Amarelão, Serrote de São Bento, Assentamento Marajó, Assentamento Santa Terezinha, Açucena e Cachoeira/Nova Descoberta.

Histórico de ocupação do território Mendonça

A criação do município de João Câmara se deu a partir do processo de construção da linha férrea que passava pela Vila Baixa Verde, nos últimos anos de 1800 e início dos anos de 1900, os Mendonça do Amarelão tiveram participação ativa, com mão de obra braçal, na construção do município de João Câmara, uma vez que suas terras, onde produziam a agricultura de substância, foram cercados por fazendeiros que migravam para a região, e como consequência, os indígenas foram forçados a procurar outros meios de sustento. Esse fato também influenciou na organização social da comunidade. Os indígenas, que tinham seus horários e calendário próprio de produção (sinais da natureza, como por exemplo, a chuva, o período de estiagem, os períodos de colheita/extrativismo e etc.), passaram a trabalhar de acordo com o horário e calendário de quem os contratava, e fora da comunidade, na cidade. Desde a construção do município de João Câmara, houve um processo de invasão e ocupação do território historicamente ocupado pelos Mendonças, e partir desse período, pela falta de terras e sem condições de produzir alimentos – agricultura de subsistência, os homens indígenas passaram a sair, por longos períodos, da comunidade em busca de trabalho, ofereciam trabalho braçal nas fazendas de algodão, pecuária e etc., em troca de alimentos e/ou pagamentos de valores quase irrisórios. Durante esse processo houve conflitos entre indígenas e fazendeiros. Segundo os depoimentos de indígenas da comunidade, quando tentavam forçar a entrada no território/roçados, os fazendeiros ameaçavam de morte.

Após esse processo de construção do município de João Câmara o povo Mendonça perdeu quase que a área total do seu território, que ficou resumido à área onde estão localizadas as residências desse povo, na comunidade Amarelão. A partir daí as famílias Mendonça começaram a ocupar outras áreas, algumas dentro do território e outras fora do território indígena.

Amarelão

O nome Amarelão vem de um antigo ritual praticado pelos antepassados que cultuavam o Sol, eles subiam uma serra de madrugada e esperavam o Sol aparecer, então, desciam-na cantando e tocando as maracas (instrumento de música feito com cabaço) e se referenciavam ao Sol como “o Amarelão”. A maior conexão com os antepassados indígenas está relacionada ao nome Mendonça, nome de uma das lideranças da comunidade nesse período migratório – referência por meio da qual, a família faz uso para demarcar sua diferenciação perante a sociedade. São conhecidos não como “os índios”, mas como “os Mendonça do Amarelão”. A comunidade indígena Amarelão, de etnia Potiguara, tronco familiar Mendonça, está localizada no Território Indígena Mendonça. O povo Mendonça não se declara indígena ou potiguara, e sim Mendonça. Sempre se reconheceram pelo o etnônimo Mendonça como identidade étnica. A partir da luta política por direitos enquanto povo etnicamente diferenciado, passaram a acionar a etnia potiguara, da qual o povo Mendonça faz parte, como parte de um processo de resgate histórico e cultural.

Serrote de São Bento

A comunidade indígena Serrote de São Bento, localizada a 15 quilômetros de distância da cidade de João Câmara-RN, tem como especificidade étnica o pertencimento ao grupo indígena potiguara. Esse grupo era formado por duas famílias, os Batistas e os Paz. Sendo que os Paz já é uma continuidade da família Batista, assim nos relata o senhor Manoel Batista, filho de Joana Batista, um dos membros, mais velhos da comunidade Serrote de São Bento:

Mãe Salina, Chico Batista, tio Joaquim Batista, Pedro Batista, meu tio Mané Paz, minha tia Maria e Luzia Tomaz que era mãe de Chico Paz. Os Paz e os Batistas, eram só duas famílias que moravam aqui. Era o meu tio Mané Paz com a família dele e o tio dele. Manoel Batista, 2017. (Entrevista realizada pelos professores indígenas do Serrote de São Bento para construção do E-book AVÁ ARANDÚ: nossas raízes e histórias, 2017).

Em seguida chegaram os Conrado e os Vital vindos da Serra de Araruna, Agreste Paraibano, durante a segunda metade do século XIX - por volta de 1870. Destas famílias, os Conrado se deslocaram para um local chamado de Oiticica e a família Vital se deslocou para Tubibau, estas duas localidades escolhidas por estas famílias, para viverem, pertenciam à cidade de Baixa Verde (atual João Câmara) e hoje correspondem ao município de Jandaíra RN.

Há duas versões dos anciões da comunidade para o nome Serrote de São Bento. A primeira versão seria que o nome de Serrote de São Bento deu-se por motivo de um dos moradores se chamar Faustino Bento. Segundo a professora Francisca Batista de Melo, de 59 anos, o senhor Faustino morava nas imediações da Pedra do Sino e se referiam ao local de sua moradia como Serrote de seu Bento e posteriormente passaram a chamar a comunidade de Serrote de São Bento. No entanto, a segunda versão:

Havia uma família no serrote que gostava muito de caçar, um dos membros desta família certo dia, tinha saído para caçar quando ao se aproximar de um pequeno serrote viu vários mocós, se aproximou e atirou, acertando a caça. Como era num serrote, a caça caiu em um lajedo, ao descer este pequeno lajedo para pegar a caça foi surpreendido por uma serpente que ali estava dormindo. O caçador quando a viu ficou muito nervoso e apressou a sua saída, começou a chamar e clamar por São Bento e foi salvo. Desta história surge o nome Serrote de São Bento”. Rosa Batista da Costa, Serrote de São Bento, maio de 2017 (Entrevista realizada pelos professores indígenas do Serrote de São Bento para construção do E-book AVÁ ARANDÚ: nossas raízes e histórias, 2017)

Segundo Dona Rosa Batista da Costa, 88 anos, conhecida como Dona Rosa ou Rosa curandeira, que nasceu na comunidade, casou com o seu primo legítimo, o já falecido senhor Manoel Pedro Barbosa da Costa, relembra os seus antepassados e conta que o Serrote de São Bento nunca foi uma comunidade dividida do Amarelão, o ponto divisório era a “cacimba salgada” e afirma que todos eram de um mesmo tronco, de uma só família. O que é confirmado pelo senhor Manoel Batista de Lima, 61 anos de idade, que quando fala sobre a sua árvore genealógica afirma que todos que moravam aqui pertenciam a uma só família, por isso os casamentos se davam entre primos. Conta que a primeira escola do Serrote de São Bento, que por sinal ainda existe, era chamada de “grupo”, e muitos da idade deles estudavam lá com a professora Dona Mariinha e só depois foram estudar no Amarelão, na Escola Alice Soares. Também relata sobre as dificuldades daquela época, os períodos de seca, as epidemias e como faziam para conseguir sobreviver. O senhor “Beel” como é conhecido, relembra como as famílias faziam os seus roçados, conta que cada família dividia o local para fazer o seu plantio, e depois de certo tempo, chegaram os fazendeiros que começaram a cercar as terras daqui. Sem terra para produzir, as famílias indígenas começaram a trabalhar para os fazendeiros, plantando algodão, agave e oferecendo a sua mão de obra, nas fazendas Jacinto, Santa Eliza, Baixa do Feijão, na fazenda de Zé Guedes. (E-book AVÁ ARANDÚ: nossas raízes e histórias, 2017)

Cachoeira/Nova Descoberta

A comunidade Cachoeira, como é chamada pelos indígenas que lá residem, foi criada na década de 1950 e está localizada no município de Jardim de Angicos, divisa com o município de João Câmara. A comunidade faz limite com o Assentamento Santa Terezinha. O município de Jardim de Angicos registrou a comunidade com o nome de Nova Descoberta. Segundo a história oral dos Mendonças, um indígena do Amarelão, trabalhou para um fazendeiro da região por anos. Quando esse fazendeiro resolveu se desfazer da fazenda e como forma de pagamento pelos serviços prestados doou um pedaço de terra às margens da linha férrea que liga Macau à Natal, a esse indígena. O mesmo levou sua família, que morava no Setor Familiar Bianos no Amarelão, para morar lá. Ergueram casas de taipa e até hoje moram lá, com seus filhos e netos que ao longo dos anos foram constituindo suas famílias. Um fato importante é que anos depois de receber a terra doada pelo patrão, o indígena descobriu que a terra não pertencia à fazenda e sim à União, um ato de má fé de um homem contra a inocência de um indígena. Toda a comunidade foi criada praticamente em cima da linha férrea que está desativada desde a década de 1990.

Assentamento Marajó

Segundo Almeida (2002), em março de 1990, o MST instalou a secretaria em Natal no sindicato dos comerciários. A mudança da secretaria do movimento da cidade de Açu para Natal esteve ligada ao redirecionamento de sua luta de Açu para a região do Mato Grande. Na região de Mato Grande existe um predomínio de estruturas atrasadas, na qual prevalece uma agricultura temporária e de subsistência, baseada em métodos arcaicos como o uso de enxadas, foices, carrinho-de-mão, ou seja, o trabalho era basicamente manual. A pecuária é praticada de forma extensiva, caracterizando-se por apresentar o maior grau de concentração fundiária do Estado. Além disso, apresenta uma vasta população de posseiros, favorecendo as práticas de grilagem, em virtude de eles não possuírem a propriedade jurídica da terra. Dessa forma, a primeira ocupação organizada pelo MST na Região do Mato Grande foi na Fazenda Marajó. A fazenda ficava localizada no município de João Câmara, de propriedade de Francisco Caraciole Bezerril e correspondia a uma área de 1562 ha. Esta Fazenda já havia sido vistoriada em março de 1988, pela Delegacia Regional do Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário (M1RAD).

A Fazenda Marajó, antes mesmo de ser ocupada pelo MST, já havia sido alvo dessas ações outras vezes antes de 1990. Uma delas ocorreu em 1988 por camponeses pobres organi58 zado s e dirigidos pelo STR do município de João Câmara. Essas lutas anteriores, significaram o início da luta pela desapropriação da Fazenda, bem como o acirramento da luta pela terra desencadeada pela população pobre do campo. Tais ocupações desembocaram, igualmente, num processo de negociação com o INCRA. Assim no dia 29 de julho de 1990, aproximadamente 300 famílias, sob a orientação do MST, ocuparam a Fazenda Marajó. Essa ocupação teve um caráter diferente das anteriores organizadas pelo o Movimento dos Sem Terra em Augusto Severo e Santana do Mato, pois para a ocupação da Fazenda Marajó o MST adotou novas táticas e estratégias. Enquanto que nas ocupações anteriores o MST agia isoladamente, no caso Marajó ocorre justamente o inverso, uma vez que o movimento buscou alianças com outros setores do movimento operário e popular, tornando-se, assim, mais aberto para outros segmentos organizados. (ALMEIDA, 2002)

Saíram 10 famílias indígenas do Amarelão para fazer dessa luta desde o início, na esperança de terem terra para produzir. Essas famílias conquistaram o direito à terra e foram assentadas no Assentamento Marajó, onde residem com outras famílias não-indígenas até hoje.

Assentamento Santa Terezinha

No início dos anos de 1990, cresceu o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região do Mato Grande/RN, e os Mendonça emergiram nessa luta na tentativa de recuperar seus territórios perdidos para os latifundiários da região. Por isso, se uniram ao MST pela falta da FUNAI no estado. Em 1993 os Mendonça, estrategicamente, montaram acampamento junto às terras de João Rodrigues, no pé do Serrote Grande (Serrote de São Bento) para ter acesso à fazenda Saramandaia, que era a área reivindicada pelos Mendonça, onde estavam localizados os açudes, as áreas de plantio e de colheita de frutas nativas que historicamente pertenciam ao território Mendonça e foram tomadas pelos fazendeiros da região.

Participaram ativamente desse processo os indígenas Raimundo Louro, Dona Dadinha, Dona Milosa, Orione, Canindé, Antonio Félix, Nazareno, Dona Francisca Damião, Oliveira, Tadeu, Pequinho, Heleno, Bolacha, Dadau, Chico Raimundo, Chico Caetano, Dona Basta e suas famílias, entre outros, contaram com o apoio do MST e seus representantes, como Livania, Edson (Som), Aldeci (que é Mendonça), Plínio, Edimilson, Hélio, Antônio Baixinho e Antônio Careca, entre outros. E principalmente a liderança religiosa que mais apoiou os Mendonça nessa retomada, a Irmã Terezinha Tesselles Galles, da Congregação Imaculado Coração de Maria, homenageada com o nome do Assentamento. As primeiras reuniões e pontos de apoio era um umbuzeiro centenário que tinha na fazenda, esse umbuzeiro até hoje faz parte dos pontos de memória do Assentamento. Segundo Dona Dadinha (Matrindade Epifânio Barbosa), Tiveram ajuda do Movimento Sem Terra (MST) que foi grande aliado nessa década:

O movimento nos ensinou que colocasse as crianças na frente dos pais para eles não serem agredidos pelos policiais, a Irmã Terezinha sofreu muitas perseguições, não andava sozinha, sempre acompanhada por alguém, rezava terços nas casas das pessoas, foi Deus quem colocou essa irmã aqui, muitas pessoas sofreram com a polícia, mais no fim tudo deu certo, hoje em dia o Assentamento Santa Terezinha recebe esse nome por causa dela. Assentamento Santa Terezinha, maio/2017. (Entrevista realizada pelos professores indígenas do Assentamento Santa Terezinha para construção do E-book AVÁ ARANDÚ: nossas raízes e histórias, 2017)

O Assentamento Santa Terezinha é constituído de 89 famílias assentadas (Cadastradas no INCRA), em uma área total de 2.600 hectares (uma parte dessa área está como Área de Preservação Ambiental – APA, sob a responsabilidade do IBAMA), e tem cerca de 200 famílias (840 pessoas), que são os filhos dos assentados que foram constituindo suas famílias e construindo casas no Assentamento. A organização das casas foge dos padrões de um Assentamento de Reforma Agrária, essa organização diferenciada surgiu com os hábitos das famílias indígenas que moravam no Amarelão e migraram para o assentamento. Quando moravam no Amarelão eles se organizavam em Setores Familiares e o local onde viviam recebia o nome da pessoa mais velha da família, e levaram esses hábitos para o local onde moram até hoje. O marco divisório entre o Assentamento Santa Terezinha e o Amarelão é a linha férrea. Foi a partir da construção da linha férrea, projeto de Governo para transportar o sal de Macau/RN para Natal/RN, que iniciou a construção do município de João Câmara (antiga Vila Baixa Verde) e as invasões ao território historicamente ocupado pelos Mendonça do Amarelão que habitavam a região há mais de três séculos. (E-book AVÁ ARANDÚ: nossas raízes e histórias, 2017)

Açucena

A comunidade Açucena foi criada por Mendonças que migraram da comunidade Serrote de São Bento no ano de 2005. Pela falta de terra para produção de alimentos na comunidade Serrote de São Bento, o indígena Francisco Pedro (Chiquinho) soube de um Programa de Governo para compra de terras, a informação chegou até em reuniões que participava no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de João Câmara. O Programa era o Programa Nacional de Crédito Fundiário - PNCF Social e tinha que ter o mínimo de 20 famílias organizadas em associação para acionar o crédito. Seu Chiquinho criou uma associação com os 8 filhos e mais alguns amigos não-indígenas de fora da comunidade e compraram a Fazenda Buraco Seco, que fica localizada às margens da BR 304 e faz divisa com a comunidade Serrote de São Bento. A comunidade passou a ser chamar Açucena, e eles moram lá até hoje, já pagaram a terra e receberam os títulos de proprietário.

Tabela com os dados populacionais do Território Mendonça

Comunidade População
- Nº de famílias Nº de pessoas
Amarelão 340 1.100
Assentamento Santa Terezinha 200 840
Serrote de São Bento 104 360
Açucena 17 69
Assentamento Marajó 29 127
Cachoeira/Nova Descoberta 80 300
Total 734 2.796
Fonte: Autores

Mendonças do Amarelão em Natal

Existe um grupo de indígenas pertencente à família Mendonça e da etnia potiguara que vivem na Zona Norte de Natal, localizados em diversos bairros da capital potiguar, atualmente, o Fórum de Lideranças Mendonça reconheceu cerca de 48 famílias indígenas de nosso tronco que residem nos bairros de Nossa Senhora da Apresentação, Cidade Praia e Jardim Progresso.

Articulações no movimento indígena, assistência e políticas públicas

O Território Indígena Mendonça está no movimento indígena do RN desde a criação do movimento no início dos anos 2000, junto com as comunidades Catu/Canguaretama, Caboclos e Bangue/Assú. Antes de ter um movimento indígena formado e atuante no estado do RN, o Território Mendonça já tinha atuação política na luta por direitos, e essa atuação influenciou as lideranças que, mais tarde, formaram o movimento indígena junto com outras comunidades indígenas do Estado. Antes do movimento indígena a principal luta do Território Indígena era por acesso à água, seguida de acesso à terra (a exemplo da conquista do Assentamento Santa Terezinha) e melhorias na educação. Ainda na década de 1990, o grupo extremamente organizado fundou a Associação Comunitária do Amarelão- ACA, órgão que tem como finalidade representar as famílias Mendonça que residam na comunidade e representá-las na busca pela implementação de políticas públicas e assistenciais perante ao Estado e a sociedade civil. A implementação de políticas públicas e assistências teve início de forma mais efetiva, após a I Audiência pública, realizada em 15 de junho de 2005, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte, um marco histórico e legal para os indígenas do estado e em especial, aos Mendonça, que desde antes a Audiência, vinham travando lutas em torno das garantias de direitos previstos na carta Magna de nosso país, a Constituição Federal e demais dispositivos de leis, que asseguram os direitos dos povos originários. Mediante os encaminhamentos retirados ao término da Audiência e daí por diante, os indígenas participaram de várias reuniões, conferências e até mesmo, contribuíram para a elaboração do Plano Estadual de Políticas da Igualdade Racial, que registrou às demandas elencadas pelas lideranças. Ainda naquele ano, foi solicitada a instalação de um “posto” da FUNAI no RN, para atender as necessidades das famílias indígenas do Estado. Além, de ter sido realizadas outras solicitações, como por exemplo, a saúde diferenciada, a educação diferenciada (Educação Escolar Indígena) e o acesso a territorialidade (Demarcação das Terras). No ano de 2013, a professora historiadora e antropóloga, Jussara Galhardo Aguirres Guerra realizou a qualificação territorial da comunidade do Amarelão, solicitada pela FUNAI- Departamento de Proteção Territorial. Hoje o território tradicionalmente ocupado aguarda pela demarcação de suas terras, já qualificadas.

Os grupos percorreram longos caminhos, até que de fato, obtiveram respostas claras e significativas no processo de luta e reconhecimento étnico e de direitos fundamentais a sobrevivências de seus costumes, hábitos e tradições, sendo respeitados o direito à vida destas populações. No ano de 2011, finalmente a Coordenação Técnica Local/CTL-FUNAI/Fundação Nacional do Índio-NATAL foi criada e implementada, e desde então, passou a atender as comunidades indígenas do Estado. Em 2013, às lideranças solicitaram a SESAI o acesso a saúde diferenciada, e só veio a chegar anos depois, especificamente em 2015 e de forma insuficiente para atender ao número populacional das famílias indígenas do estado.

Ainda no ano de 2015, mais uma vez os líderes indígenas cobraram ao Estado a regularização das Escolas Indígenas do Território Mendonça, o que só veio a ser realizado de forma superficial no ano de 2018, quando no censo do MEC, constava a regularização de 6 unidades de ensino diferenciado localizadas no Território Mendonça, sendo elas, 3 creches, que atendiam desde o terceiro nível da educação infantil até o quinto nível e 2 escolas que atendem do 1º ao 5° ano do fundamental I e 1 que atende do 1° ano até o 9° ano do Fundamental II.

As instituições mencionadas pertencem a rede municipal de ensino da cidade de João Câmara que por meio da lei orgânica em seu Art. 132 de 2015 estabelece o ensino da educação escolar indígena de acordo com as Diretrizes Nacionais e demais dispositivos de lei que regem a educação escolar indígena em seus territórios. Em 2017, ocorreu a primeira formação específica para os professores indígenas do Estado e dentre os participantes estavam boa parte dos professores indígenas Mendonça. Foi a curso Saberes Indígenas na Escola, programa da extinta Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão-SECADI/Ministério da Educação-MEC (hoje Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação -SEMESP), teve uma carga horária de 200 horas e foi executado pelo - no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia/RN, campus Canguaretama. essa ação se deu através de inúmeras idas das lideranças ao Mistério da Educação em Brasília.

Em 2018, ocorreu a II etapa da formação Ação Saberes Indígenas na Escola MEC/SECADI, com duração de 200 horas de formação em educação escolar indígena, tendo como resultado da formação diversos materiais didáticos, paradidáticos e bilíngue, comtemplando a realidade local do território e colaborando de forma significativa no processo de ensino e aprendizagem a partir de um processo interdisciplinar entre o saber tradicional e o cientifico. Nesse mesmo período, as lideranças indígenas que, em sua grande maioria, são professores, cobraram da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santos - APOINME, que articulasse junto a Fundação Nacional do Índio - FUNAI, Audiências Públicas nas Câmaras Legislativas dos municípios que tivessem escolas nos Territórios indígenas, a fim de discutir a legislação e o descaso destes municípios em torno da oferta da educação escolar indígena, bem como reforçar a solicitação de regulamentação das escolas perante o MEC. Para que as escolas que atendem alunos indígenas e estão localizadas nas comunidades/aldeias sejam reconhecidas como escolas indígenas pelo MEC, as Secretarias municipais de Educação tem que informa no censo escolar que a escola é indígena e inserir os alunos no sistema como indígenas.

No período de 05 a 06 de dezembro de 2018, ocorreu à primeira Oficina sobre Formação Intercultura a principal finalidade foi a discussão sobre a oferta de curso de licenciatura em nível superior no RN, destinado aos professores indígenas, a oficina foi promovida pelo Departamento de Antropologia-PPGAS/UFRN e a Coordenação do Campo, Indígenas e para as Relações Étnicas- Raciais da Secretaria de Educação a Distância e Alfabetização e Inclusão- MEC/SECADI. O objetivo do Evento foi dialogar com os povos indígenas sobre as suas necessidades e demandas de formação no ensino superior e elaborar um projeto de curso superior especifico para os educadores indígenas em licenciatura intercultural, cumprindo as normas e diretrizes do PROLIND- Programa de apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas.

Em novembro de 2018 o Estado do Rio Grande do Norte, criou via decreto n°28.536 a primeira escola indígena pertencente a rede estadual de educação a Escola Indígena Professor Francisco Silva do Nascimento, que irá ofertar o ensino Fundamental II e Médio no Território Mendonça em João Câmara-RN. Vale ressaltar que a escola citada acima foi solicitada no ano de 2005, quando lideranças locais, construíram o projeto da escola, ainda a mão. No ano de 2019, durante a VI Assembleia Indígena do Rio Grande do Norte - AIRN foi criada a OJITM (Organização da Juventude Indígena do Território Mendonça, que tem como finalidade formar jovens que possam atuar no movimento indígena local, estadual e nacional.

Dentro do movimento indígena, a principal pauta sempre foi demarcação de terras, seguida de acesso à água, educação escolar indígena, saúde indígena, entre outras. As lideranças indígenas do Território Mendonça também ocuparam e ocupam cargos no movimento indígena não só em defesa de suas comunidades e Território, mas em defesa dos direitos das comunidades indígenas de todo o estado do Rio Grande do Norte. As lideranças ocuparam cargos na: Coordenação Microrregional da APOINME/Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo no RN; Coordenação de Mulheres Indígenas da APOINME no RN; Coordenação de Juventude Indígena da APOINME no RN; Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena/Conselho Nacional de Educação; Comissão Nacional de Cultura Indígena; Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional; Comitê Gestor de Educação Escolar; Coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do RN. Em âmbito local (municipal) também ocupam espaços em Conselhos municipais.

Em 23 de outubro de 2016, na sede da Associação Comunitária do Amarelão-ACA, na comunidade Amarelão, foi criado o Fórum de Lideranças Mendonça – FLM. No Regimento Interno do FLM está registrado que se trata de “órgão colegiado consultivo e deliberativo restrito as lideranças do povo Mendonça, responsável pela articulação e mobilização das lideranças Mendonça.

A organização se dá através do fortalecimento das associações, conselhos, fóruns e espaços de debate, além da realização de oficinas de formação de novas lideranças que visam formar nossos jovens para atuar junto ao movimento indígena, no combate a retirada de direitos. Os Mendonça ocupam lugares de destaque nos processos de lutas, bem como nas reivindicações de direitos.

Essa visão de ocupação de espaços e representatividade é estimulada há anos em nossas comunidades. Esses estímulos se dão principalmente pelos mais velhos, que entendem que não são eternos e precisam estimular e fortalecer o espírito de luta nos mais novos. Ressaltamos que a maior parte de nossas lideranças é formada por mulheres que ocupam lugares essenciais na luta realizada em nossas bases (comunidades).

As 6 comunidades do Território Indígena Mendonça têm associações. Todas têm um calendário fixo de reunião com a comunidade e de reuniões das Diretorias, que geralmente acontecem antes da reunião com a comunidade. Nessas reuniões de Diretoria, as lideranças definem a pauta da reunião com a comunidade, ações, estratégias de atuação, atividades, participação no movimento indígena, em conselhos e demais espaços fora da comunidade. As reuniões das associações com a comunidade têm como pauta receber as demandas das famílias, informar sobre qualquer tipo de assunto que atinja de alguma forma a comunidade, dar retorno sobre resolução de problemas e sobre a atuação das lideranças como seus representantes. Segundo as lideranças, mais de 90% dos participantes das diretorias das associações e das reuniões com a comunidade são mulheres. Todas essas associações são a principal representação política das comunidades indígenas do Território. É das associações que saem as demandas, as reinvindicações, onde são traçadas as estratégias de atuação e por onde a comunidade tem um retorno de suas demandas. Funcionam também como interlocutoras entre comunidade e agentes externos – órgãos de Estado, Organizações não governamentais- ONG’s, movimentos sociais.

A Associação Comunitária Amarelão – ACA foi fundada em 21 de maio de 1994 pela Irmã Terezinha Tessele Galles da Congregação Imaculado Coração de Maria , do Rio Grande do Sul e lideranças indígenas moradores da comunidade Amarelão. Com a criação da ACA e o apoio da Irmã Terezinha, a comunidade iniciou um processo de formação política das lideranças indígenas e fortaleceu a luta por direitos dos povos indígenas no Rio Grande do Norte. O objetivo ou missão da ACA é promover o desenvolvimento socioeconômico da comunidade através de projetos com foco na promoção humana, social e cultural, a partir de processos participativos e formativos, numa perspectiva emancipadora. Representando a comunidade junto aos órgãos públicos e privados no atendimento de suas reivindicações.

O Assentamento Santa Terezinha tem duas associações comunitárias, uma que é vinculada ao INCRA e famílias assentadas e outra que é vinculada ao movimento indígena local, a Associação Comunitária do Povo Indígena Mendonça Potiguara, tem como principal objetivo a buscar de direitos e a implementações de políticas públicas diferenciadas previstas na constituição Federal.

Há na comunidade do Serrote de São Bento uma Associação, criada em Fevereiro de 2016, e com finalidade de representar a comunidade e cobrar o acesso à educação, lazer, etnodesenvolvimento e demais garantias de direitos previstos nos dispositivos de leis.

Na comunidade do Assentamento Marajó existe duas associações, onde uma dela é vinculada ao INCRA e famílias assentadas e a outra representa o movimento indígena local e tem como principal objetivo fortalecer a identidade étnica e reivindicar direitos previstos na carta magna do país, a mesmo foi criada no dia 07 de Fevereiro de 2018

Na comunidade de Açucena o processo de criação da Associação foi diferente das demais, ás famílias se reuniram com o intuito de fazer uma carta proposta para o branco do Nordeste e conseguirem um financiamento para a comprar da área a qual ás famílias moram hoje, ainda vale ressaltar que a Associação não é Indígena, porém, contribui nesse processo de articulação e busca de direitos específicos. A Associação Comunitária de Cachoeira - Povo indígena Mendonça Potiguara, foi fundada em 05 de novembro de 2018. Abaixo, para facilitar a sistematização das informações uma tabela, linha do tempo, sobre a criação das associações:

Tabela com os dados populacionais do Território Mendonça

Associação Sigla Comunidade Data de Fundação
Associação Comunitária Amarelão ACA Amarelão 21 de maio de 1994
Associação e Associação Proativa da comunidade Açucena - Açucena 2005
Associação Comunitária Indígena do Serrote de São Bento ACS Serrote de São Bento 05 de fevereiro de 2015
Associação Comunitária do Assentamento Santa Terezinha - Povo indígena Mendonça Potiguara AST Assentamento Santa Terezinha 09 de setembro de 2016
Associação Indígena de Marajó AIM Assentamento Marajó 07 de fevereiro de 2018
Associação Comunitária de Cachoeira - Povo indígena Mendonça Potiguara - Comunidade Cachoeira 05 de novembro de 2018
Cargo Sigla Associações que têm esse cargo
Coordenação Administrativa (Cargo maior nas associações) CG ACA;
ACS;
AST;
AIM;
Associação Comunitária de Cachoeira – Povo indígena Mendonça Potiguara
Presidente (Cargo maior nas associações) - Associação e Associação Proativa da comunidade Açucena
Secretário/a - ACA;
Associação e Associação Proativa da comunidade Açucena ACS;
AST;
AIM;
Associação Comunitária de Cachoeira – Povo indígena Mendonça Potiguara
Tesoureiro/a - ACA;
ACS;
Associação e Associação Proativa da comunidade Açucena AST;
AIM;
Associação Comunitária de Cachoeira – Povo indígena Mendonça Potiguara
Departamento de Etnodesenvolvimento e Cultura DEC ACA;
ACS;
AST;
AIM;
Associação Comunitária de Cachoeira – Povo indígena Mendonça Potiguara
Departamento de Gênero e Geração DGG ACA;
ACS;
AST;
AIM;
Associação Comunitária de Cachoeira – Povo indígena Mendonça Potiguara
Departamento de Educação e Lazer DEL ACA;
ACS;
AST;
AIM;
Associação Comunitária de Cachoeira – Povo indígena Mendonça Potiguara
Fonte: Autores

Atividades Produtivas

O Território Indígena tem como formas de sustento a criação de pequenos animais como galinha, porco, ovelha, carneiro. O trabalho com a agricultura familiar se dá através da plantação de lavouras de subsistência como por exemplo, o cultivo do milho, feijão, roça/mandioca, batata doce, algodão. Também o plantio de frutíferas, como o cajueiro, mangueira, pinheira, umbuzeiro; plantas medicinais, entre outros, apenas para garantir a subsistência familiar dos membros dependentes da casa e seus parentes próximos.

Este grupo familiar passa por grandes dificuldades para conseguir água, tendo em vista que o local onde se encontra a comunidade possui um nível de chuva muito baixo. Em ciclos regulares de inverno as famílias contam apenas com pouco mais de três meses de chuva, fora deste período, tem somente chuvas irregulares durante o ano, não sendo suficiente para a prática da agricultura fora desta época, que se inicia no mês de março, tempo de plantio, e vai até o mês de junho. Diante destas adversidades impostas pelo clima, as famílias que vivem neste local passam por vários desafios em determinados períodos do ano para encontrar água, que será utilizada no consumo tanto dos membros da família como para manter a sua pequena criação que apesar da falta de terras, porque ainda não foi demarcada pela FUNAI, para produção de alimentos conseguem produzir nas pequenas áreas a que tem acesso. A maioria das famílias produz alimentos para o seu próprio consumo. Essa produção depende das chuvas, e quando conseguem colher a produção, os indígenas armazenam parte das sementes crioulas para o plantio no ano seguinte.

Os indígenas também produzem artesanato (extrativismo) com cabaças, cipó, trabalha as sementes nativas e não nativas na confecção de colares, pulseiras, brincos, filtros dos sonhos maracás, entre outros. A atividade é desenvolvida visando a preservação, a valorização e reconhecimento da cultura indígena local. Mas o beneficiamento da castanha do caju é a principal fonte de renda do Território.

A atividade econômica de beneficiamento da castanha do caju no Território Mendonça se iniciou na década de 1980, quando o grupo não trabalhava mais com o algodão nas fazendas, visto que, após seu período áureo, as décadas seguintes marcariam definitivamente uma queda na produção desse produto por motivo de pragas nas plantações. Segundo afirma o senhor Francisco Epifânio, conhecido por Chiquinho, um dos primeiros Mendonça a introduzir a atividade com a castanha no Amarelão, as famílias Mendonça, enxergaram no beneficiamento – cujo processo será explicado mais adiante – da castanha uma alternativa “sólida” de geração de renda, tornando assim, o beneficiamento artesanal da castanha do caju sua principal fonte de renda.

Nas comunidades são encontradas várias realidades, desde a família que compra direto do produtor, beneficia e comercializa de forma autônoma, até a família que depende exclusivamente do atravessador, sendo essa a figura central em todo o processo de negociação da castanha na comunidade. Os atravessadores do Território Mendonça compram a matéria prima, a castanha do caju, e repassam às famílias da comunidade; este repasse é feito na base da confiança, já que as famílias não dispõem de capital de giro. Diante de tal situação, elas não têm outra opção senão recorrer a um atravessador para adquirir tal matéria prima. A negociação com o atravessador é simples: a família compra a castanha fiado do atravessador, mais com uma condição imposta por ele, o valor que ela pegar em castanha in natura, deve pagá-lo não em moeda “dinheiro”, mas em castanha beneficiada ou assada como é chamada nas comunidades.

Selecionando a castanha

Após a aquisição da matéria prima, a castanha será selecionada por tamanho, normalmente em grande, média, pequena e a chocha ou borreia. A castanha chocha são as castanhas que não tem a amêndoa, portando não tem tanto valor. Essa etapa normalmente é realizada na própria casa das famílias, porém tem castanhas que dispensam essa etapa por serem uniformes.

Torragem

O terceiro passo é a torragem que é feita em um caco, um dos equipamentos feito pelas próprias famílias da comunidade, a partir da reutilização de um tambor de alumínio ou ferro, onde ele é rolado ao meio e aberto pequenos furos ou buracos para que a castanha ao ser aquecida com o calor do fogo, libere o seu óleo o LCC (líquido da castanha do caju) que por ser inflamável, ao ser aquecido passa a alimentar o fogo, fora e dentro do caco torrando a castanha. Para garantir a uniformidade das castanhas no caco, ou seja, para que todas as castanhas assem por igual, o torrador faz uso de uma vara, onde mantem-se mexendo constantemente as castanhas no caco visando à uniformidade. Essa vara usada no processo tem de 1,6 a 1,8m de comprimento. Antigamente essa ferramenta usada no processo de torragem da castanha era feita só com madeira “vara” tirada na mata. Hoje ela é fabricada com um cano de ferro inoxidável, com um pedaço de madeira. O pedaço com o ferro fica em contato com o folgo, e o pedaço de madeira na mão do torrador; também é usado um pedaço de vergalhão de ferro, com a finalidade de aumentar a área de contato com o fundo do caco. É importante relatar que o fogo não é alimentado com lenha ou algum combustível fóssil, mas com a própria casca da castanha, advinda da quebra da castanha.

Quebra

Essa etapa do processo de beneficiamento consiste na separação da amêndoa da castanha de sua casca A quebra da castanha é realizada em uma mesa de cimento com o auxílio de um pequeno cassetete de madeira ou um pedaço de cano de ferro, mesmo material da vara usada para mexer a castanha no caco. Todo esse processo é realizado após a fase de selecionamento desenvolvido em uma barraca. A barraca como é chamada nas comunidades é a estrutura física usada para proteger os torradores de castanha da chuva e do sol. É uma estrutura relativamente simples, algumas são construídas com madeira serrada, outras com madeira roliça retirada na mata e a maioria das barracas hoje tem luz elétrica para o trabalho noturno. No assentamento Santa Terezinha, as barracas eram construídas nos quintais de casa da mesma forma que encontram - se nas comunidades indígenas do Amarelão e Serrote de São Bento, pelo fato de as mulheres conciliarem o trabalho com a castanha, com os cuidados com os filhos e cuidados com a casa (afazeres domésticos), mas isso acarretava em problemas com a fumaça da castanha prejudicando a saúde das crianças. Em 2014, houve uma reorganização dessas barracas, onde as famílias fizeram suas barracas uma junto da outra, em uma área coletiva do Assentamento, de forma que a fumaça não chegue às casas. Hoje tem 3 áreas coletivas com barracas onde as famílias beneficiam a castanha do caju.

Despeliculagem

Após selecionar, torrar e quebrar a castanha, essa irá para a fase de despela onde será retirada uma segunda casca chamada de pele. Essa etapa por sua vez é desenvolvida pela maioria das famílias em suas residências.

O lucro ou saldo da família é obtido do produto resultante da multiplicação da quantidade de castanha assada, pelo preço a ser pago por quilo, subtraído pelo produto da multiplicação da castanha in natura beneficiada, pelo valor a ser pago ao atravessador por quilo acertado previamente. Como por exemplo: uma família pega com o atravessador 50 kg de castanha in natura, e o preço acertado entre a família e o atravessador é de R$ 5,20/kg. A cada 5 kg de castanha in natura beneficiada rende 1 kg de amêndoa ou castanha assada. O atravessador receberá a castanha beneficiada a R$ 28/kg, mas a castanha chocha há um valor de R$1,5. ((10×28) - (50×5,20)) + (5x1,5) = 27,5. O resultado da subtração do produto das duas multiplicações é o lucro ou saldo da família. No exemplo acima esta família teria o saldo R$ 20 reais. Como os preços praticados pelos atravessadores são proporcionais, ou seja, se aumentar o preço pago pela castanha in natura também aumentará o preço pago no kg da castanha assada ou beneficiada.

Portanto um dos problemas é a qualidade da matéria prima, já que os cálculos feitos têm como base ou como dado principal a proporção de 5/1, a cada 5 kg de castanha in natura beneficiada, é retirado apenas 1 kg de amêndoa. Contudo, quando isso muda, por exemplo, se ao invés da saca de 50 kg de castanha in natura render 10 kg de castanha assada, só rendesse 9 kg, o saldo da família seria negativo R$0,50 reais, ou seja, a família não teria nem um lucro e ainda ficaria devendo ao atravessador. Um dos períodos melhores para as famílias é a safra, que se inicia na região em outubro e vai até meados de janeiro, sendo este um momento de comemoração, pois o preço pago no quilo da castanha in natura cai por consequência da demanda e as famílias que dispõem de um pouco de recurso podem adquirir a sua própria castanha, e com isso, vender a quem quiser e no tempo que achar mais apropriado. O beneficiamento da castanha do caju é a principal fonte de renda das comunidades Mendonça. Essa atividade ganhou uma importância muito grande e vem sendo passada de geração para geração, sendo assim, podemos afirmar que se trata de uma prática cultural do grupo Mendonça. (E-book AVÁ ARANDÚ: nossas raízes e histórias, 2017)

Trilha, Festas Tradicionais, Romaria e Toré

Festas tradicionais

Até a década de 90 e início do século 21 era muito comum as grandes festas de casamento que duravam até três dias com comidas, bebidas e sanfoneiros. Segundo relato da senhora Luiza Ferreira de Melo, mais conhecida como Luizinha, essas festas duravam três dias, começando na sexta-feira com a despedida de solteiro dos noivos, que acontecia com todos juntos. Era contratado um sanfoneiro que tocava na sexta-feira até meia noite, e no sábado cedinho já começava a tocar até a saída dos noivos para a igreja. Eles tinham que dançar a saideira, e quando chegavam antes do almoço dançavam a chegada dos noivos que era para dar sorte, depois, só ao anoitecer do sábado até o sol raiar no domingo, tinha a história de pegar o sol com a mão. No domingo à tarde ainda dançavam a saída da noiva para sua nova casa. Os preparativos começavam uma semana antes, era feita uma latada (uma espécie de cercado com palha de coqueiros) o piso era de barro batido, que precisava ser molhado durante os intervalos da festa para o sanfoneiro descansar. A água usada tinha como finalidade baixar um pouco a poeira no salão. Eram servidos no almoço do sábado e durante a festa, peru, galinha, porco, bode e boi. O senhor Francisco Pereira, mais conhecido pelo apelido de Rolinha, Mendonça e agricultor aposentado, nos relata um pouco de como eram as festas de Sábado de Aleluia e as comemorações de São João.

Festa da castanha

A Festa da Castanha é uma atividade cultural promovida anualmente pela comunidade indígena Amarelão, com o apoio de parceiros. A festa tem como objetivo dar visibilidade e valorizar o trabalho desenvolvido na comunidade. Ela busca possibilitar o escoamento dos produtos locais, bem como divulgar a nossa cultura indígena e promover atividades culturais, a troca de experiências com outras comunidades indígenas e agricultores familiares da região. Essa Festa começou a ser realizada na década de 1990 pelo primeiro presidente da Associação Comunitária do Amarelão – ACA, Francisco do Nascimento Silva, vulgo Titinho, e era uma atividade de lazer e diversão para a comunidade. Em 2001 essa liderança foi assassinada e então a Festa deixou de acontecer porque não existia mais quem retomasse a organização da mesma. Em 2012, a atual Coordenação da ACA, junto com a comunidade, decidiu retomar a realização da Festa, ficando acordado que aconteceria anualmente, sempre no último sábado de agosto.

Crenças e mitos das comunidades

Os Mendonça apresentam diversos mitos na sua cultura, como os relacionados à alimentação, a prática da caça e alguns relacionados à saúde.

O lobisomem do Amarelão

Conta-se no Amarelão que um certo homem “virava lobisomem”. Em uma noite de lua, um velho caminhava pela mata quando viu o monstro. Ele se defendeu, furando-lhe com uma faca no peito, depois, esperou que o sangue jorrasse, enquanto o desencanto se desfazia. E, assim, descobriu quem era, de fato, o lobisomem que, por sua vez, ameaçou seu adversário de morte, caso ele contasse aos outros aquilo que vira. O homem não se intimidou e afirmou que iria contar a todos sobre o que testemunhara. E assim o encanto se quebrou e o homem não se transformou mais em lobisomem.

A briga do “rabo de porco”

Conta-se no “Amarelão” que no Alto dos Eleodórios, há mais de cinquenta anos decorridos, os Mendonça resolveram romper aleluia assando um porco na brasa para que todos dele se servissem. Estavam bem animados até que um imprevisto aconteceu: um desentendimento começou por causa de um irmão ciumento que ordenou à sua irmã, que estava acompanhada do namorado, para que entrasse em casa, caso contrário ele cortaria suas orelhas. O namorado aborreceu-se com o que ouvira e resolveu defender a namorada enfrentando o irmão dela, dando início a uma tremenda briga. E aí começou toda a confusão, pois como os Mendonça são muito unidos, cada um que estava na festa resolveu defender o parente, o que deu origem a um verdadeiro campo de batalha.

A Fulozinha

A Fulozinha dá pisa nos cachorros de noite com os cabelos, ela tem os cabelos longos arrastando no chão. Para ela deixar caçar os animais é preciso fazer uma oferenda de fumo para ela. Aí ela deixa o caçador fazer sua caçada. (Produção textual da aluna Mirela Ferreira, do 5º ano, da Escola M. Alice Soares, em 2016).

A lenda do “Buraco Seco”

Havia antes um antigo olho d’água que jorrava, no qual todos iam se fartar. O lugar era numa fazenda distante, em alguns quilômetros do “Amarelão”. O dono do lugar, então, resolveu não permitir mais “a farra da água” e proibiu as pessoas de irem até lá novamente, foi quando mataram um porco (talvez os restos mortais da “briga do rabo do porco’?) e meteram sua cabeça dentro do ”olho d’água”. Dessa forma, a água cessou de jorrar e o lugar secou. Daí o nome “Buraco Seco”.

Religiosidade

A religiosidade dos Mendonça é muito forte. Logo após o nascimento da criança, antes de procurar o posto de saúde para vacinar, buscava-se uma curandeira para curar de mau olhado, sendo também essa prática usada para tratar diversas doenças, antes de procurar o médico. Às vezes vão à farmácia se “consultar” e só procuram o hospital ou posto de saúde em último recurso, este fato acontece com a maioria das famílias. Ainda falando da religiosidade, todos os anos, os Mendonça participam de muitas romarias. No mês de maio o grupo faz duas romarias: uma para visitar a terra de Frei Damião na cidade de Recife, em Pernambuco e a segunda, vão visitar a estátua de Santa Rita, localizada no município de Santa Cruz no estado do Rio Grande do Norte. No final de Outubro, início de novembro os Mendonça também visitam a estátua de Padre Cícero na cidade de Juazeiro do Norte, no estado do Ceará, encerrando o calendário com a romaria do Bom Jesus dos Navegantes no município de Touros, estado do Rio Grande do Norte, no fim do mês de dezembro. A maioria dos Mendonça procura pagar promessas aos santos, mas nem todos que participam destas excussões religiosas são romeiros, tendo em vista que alguns Mendonça fazem da romaria apenas uma viagem turística. Assim, considerando a religiosidade e devoção desse povo, será apresentada a seguir, o Calendário Religiosos, que os Mendonça fazem questão de estar presente:

Calendário religioso do grupo familiar Mendonça

Lugar/Cidade Mês Santo /santa
Juazeiro do Norte/CE Outubro/novembro Padre Cicero
Recife/PE Maio Frei Damião
Santa Cruz/RN Maio Santa Rita
Touros/RN Dezembro Bom Jesus dos Navegantes
João Câmara /RN Janeiro São Sebastião
João Câmara /RN Novembro/dezembro Festa da Padroeira de João Câmara
Fonte: Autores

Toré

O Toré é uma dança tradicional e cultural da comunidade que expressa nossos sentimentos e adorações aos ancestrais, onde glorificamos a mãe natureza e agradecemos por aquilo que temos e estamos conseguindo. Anteriormente, dançávamos em várias ocasiões, como por exemplo, nos momentos tristes, quando faleciam alguém da comunidade. Atualmente, dançamos o Toré em momentos festivos, de lutas e reinvindicações. Contudo, com o passar do tempo, essa prática foi se perdendo e hoje a dança Toré está em fase de revitalização com as crianças e jovens, as vestimentas usadas atualmente pelos participantes do Toré são feitos com algodão cru e ornamentados com desenhos que façam parte do cotidiano da comunidade, como o sol por exemplo.

Em ambas comunidades, são encontrados e produzidos brincos, colares, pulseiras, prendedores de cabelo, roupas de crochê, miniaturas de arcos e flechas e os saiotes, estes últimos, identificados como objetos utilizados no ritual do Toré7, não são comercializados. O ritual do Toré ocorre em momentos públicos e fechados a depender da ocasião e representa através das músicas e da dança um importante instrumento de afirmação étnica. Os artesanatos utilizados no Toré são produzidos com autonomia pelos próprios indígenas. O trecho de uma música tocada e dançada durante o ritual exprime essa importante relação: “Quero ver quem é que acaba, o resto da empeleitada”. (Ferreira & Bezerra, 2018, pág. 90).

A seguir transcrevemos alguns cantos de toré: Fulozinha Sou Fulozinha, fulo da mata, fulo, fulo, sou Fulozinha. Sou Fulozinha, fulo da mata, fulo, fulo, sou Fulozinha. Estou pedindo, estou rogando, alguém me dê uma fumacinha. Estou pedindo, estou rogando, alguém me dê uma fumacinha.

Rei Areia

Eu estava na aldeia, mandaram me chamar (bis) Caboclinhos da aldeia arreia, arreiá (bis) Eu estava na aldeia, mandaram me chamar (bis) E os caboclos da aldeia pisa firme na arreiá (bis) Eu estava na aldeia, mandaram me chamar (bis)

Quem Não Pode Com A Formiga

Pisa maneiro, pisa maneiro, quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro. Pisa maneiro pisa maneiro. Mas quem não pode com a formiga não assanha formigueiro. Pisa maneiro. Pisa maneiro.

Pássaro Azulão

Sou passo azulão, quando ele vem com as asinhas no chão. Sou passo azulão Salve as caboclas de pena, peito de ema e suas flechas na mão. Salve as caboclas de pena, peito de ema e suas flechas na mão.

Caboclinha da jurema, eu dancei no seu toré, para me livrar das flechas dos tapuias Canindé. Rei Canindé, ou rei Canindé Uma palma de jurema para o rei Canindé. Rei Canindé, ou rei Canindé Uma palma de jurema para o rei Canindé. Rei Canindé, ou rei Canindé

O artesanato produzido pelos Mendonça

A comunidade do Amarelão produz o artesanato em cabaças, cipós, sementes nativas e não nativas na confecção de bijuterias (colares, pulseiras e brincos...), bem como filtros dos sonhos, maracás, entre outros, utilizando também penas naturais e artificias. A atividade é desenvolvida visando à preservação, a valorização e reconhecimento da cultura indígena local. A comercialização destes produtos é feita por meio das feiras, exposições e encomendas. A comunidade tem um grupo de artesanato, o MOTYRUM CAAÇU: unidos pela arte, criado em 2007 com recursos financeiros do Prêmio Cultura Indígenas do Ministério da Cultura com. O objetivo do grupo era fortalecer e valorizar o artesanato indígena do nosso estado, e chegou ministrar oficinas de artesanato indígena nas outras comunidades indígenas do estado do Rio Grande do Norte no ano de 2008. Além dos produtos produzidos pelo grupo MOTYRUM, no Território Mendonça também trabalham com o crochê, colchas, vestimentas e tapetes de retalho, o tricô, e o artesanato com madeiras (partes do corpo humano para o pagamento de promessas) entalhado em madeira de umburana, planta nativa da comunidade.

Pontos de memória dos Mendonça

A comunidade possui um roteiro turístico, que é explorado de maneira simples, dependendo do interesse do visitante, não conta com uma programação definida (até o momento).

A “Pedra das Letras” é uma formação rochosa que abriga um sitio de arte rupestre. Conhecida no Território Mendonça como “Pedras das Letras” ou “Pedra das Mãos de Sangue”.

Os Tanques de Pedra são um lajedo de porte médio que em seu entorno corre um riacho, sendo que este, apenas serve de curso de água durante o período das chuvas. Ao chegar à parte superior do lajedo se tem uma fenda na pedra formada naturalmente, esta não tem uma grande expressividade, se analisarmos o seu volume de água, tendo medidas aproximadamente de 3,5 a 4 metros de comprimento e mais ou menos 1,2 metros de profundidade. Além disso, existe uma construção de tijolos de cerâmica e pedra unidas com cimento em uma de suas margens, para aumentar o volume de água, de modo a permitir o seu aproveitamento turístico e de lazer aos domingos.

A Pedra do Sino é uma rocha pequena de aproximadamente 2,5 metros de comprimento e mais ou menos 1 metro de altura, sendo esta aparentemente uma rocha comum às demais que estão dispostas no mesmo local, o que a define como específica é sua composição. Esta rocha emite um som semelhante à de um sino de Igreja, com tal particularidade, os membros da Igreja católica do Território Mendonça enxergaram aquela rocha como sendo um local de sinais favoráveis ao culto, por isso, foi providenciada e implantada uma cruz no alto do lajedo próximo a “Pedra do Sino”.

Outro ponto que nos remete a Pedra do Sino é o fato de que na primeira retomada feita pelos Mendonça, na década de 1990, esse local foi o primeiro acampamento onde sofreram muitas represálias, tiveram barracos queimados e muita gente ameaçada.

O quarto e último ponto de memória localiza-se na comunidade Amarelão. Trata-se de uma “Gameleira”. Segundo a tradição oral do grupo familiar Mendonça, foi o primeiro local de encontro coletivo para a compra e troca de produtos que tinha na comunidade, principalmente gêneros alimentícios como da caça, da coleta/extrativismo e da produção agrícola.

Além desses pontos descritos acima, temos outros que não são tão famosos, porém considerados pontos de memória dos Mendonça, sendo eles o Açude do Amarelão como é conhecido na comunidade, e a Linha Férrea, marco divisor das comunidades do Amarelão e Assentamento Santa Terezinha, e ainda a Cacimba Salgada marco divisor entre o Amarelão e Serrote de São Bento.

Autores/as:

Dioclécio Bezerra da Costa

Indígena da etnia Potiguara – Mendonça (aldeia Assentamento Santa Terezinha, município de João Câmara) e mestrando em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Tayse Michelle Campos da Silva

Indígena da etnia Potiguara – Mendonça (aldeia Amarelão, município de João Câmara) e mestranda em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Referências

ALMEIDA, Daniela Soares de. Reforma agrária no assentamento Marajó/RN (1989 a 2001). UFRN-Natal/RN-2002.

COSTA, Dioclécio Bezerra da. Educação escolar indígena: Recorte a partir da história local da comunidade indígena do Assentamento Santa Terezinha. IESM-João Câmara, 2016.

COSTA, Dioclécio Bezerra da. A importância do psicopedagogo na educação escolar indígena. FMB-João Câmara, 2018.

E-book AVÁ ARANDÚ: nossas raízes e histórias. Ação Saberes Indígenas na Escola, realizado pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte – IFRN/Campus Canguaretama/RN, no período de dez meses (2017).

FERREIRA, Flávio Rodrigo Freire. BEZERRA, Nilton Xavier. Vamos ver quem é que acaba, o resto da empeleitada: arte indígena entre os potiguaras da aldeia Catu dos Eleotérios e SagiTrabanda. Revista Mundaú, n.4, 2018, p.80-103.

GUERRA, Jussara Galhardo Aguirres. Identidade indígena no Rio Grande do Norte: caminhos e descaminhos dos Mendonça do Amarelão. 1 ed. – Fortaleza: Editora IMEPH, 2011.

JÚNIOR, Gerson Alves da Silva. Psicologia Ciência e Profissão, Educação Inclusiva e Diferenciada Indigena.2000, 20 (1),40-49.

ORGANIZAÇÃO, Internacional do Trabalho. Convenção n° 169 sobre povos indígenas e tribais e resolução referente à ação da OIT/organização internacional do trabalho-Brasília: OIT, 2011.

SILVA, Tayse Michelle Campos da. Como as mulheres indígenas do Amarelão se organizavam nas décadas de 1970 a 1990. UERN - João Câmara, 2018. 58p.

Como referenciar

COSTA, Dioclécio Bezerra da

COSTA, Dioclécio Bezerra da; SILVA, Tayse Michelle Campos da. Potiguara - Mendonça. Povos Indígenas do Rio Grande do Norte. 2020. Disponível em http://www.cchla.ufrn.br/povosindigenasdorn Acesso em:

Costa, Dioclécio Bezerra da; Silva, Tayse Michelle Campos da. “Potiguara - Mendonça”. Povos Indígenas do Rio Grande do Norte [online]. []. http://www.cchla.ufrn.br/povosindigenasdorn

Costa, Dioclécio Bezerra da; Silva, Tayse Michelle Campos da. (2020). “Potiguara - Mendonça”. Povos Indígenas do Rio Grande do Norte. [online]. . http://www.cchla.ufrn.br/povosindigenasdorn

Costa, Dioclécio Bezerra da; Silva, Tayse Michelle Campos da. 2020. “Potiguara - Mendonça”. Povos Indígenas do Rio Grande do Norte. . http://www.cchla.ufrn.br/povosindigenasdorn

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