Instituto Humanitas cria novo curso de graduação na UFRN

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE) da UFRN aprovou, em reunião em 02 de fevereiro 2021, a criação do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, curso de graduação a ser ofertado pelo Instituto Humanitas de Estudos Integrados. O curso iniciará no semestre letivo 2021.1 (previsto para começar em junho 2021, por causa da pandemia da Covid-19), com a abertura de 50 vagas para ingresso de estudantes pelo SISU.

O curso tem duração prevista de 3 anos, com um currículo flexível, com disciplinas sem pré-requisitos e sem retenção por eventuais perdas (reprovações ou outras ocorrências). O curso prevê rotas de integração com cursos de pós-graduação durante a formação do estudante e ainda treinamentos práticos em laboratório de criação de projetos e atividades de extensão.

O curso busca reunir os legados humanísticos e científicos para a formação de profissionais com a expertise do cientista na área de humanas, com a capacitação para análises da realidade social atual e análises prospectivas de cenários sociais e com habilidades que o farão um agente de conduções de equipes multidisciplinares em organismos públicos, empresas, movimentos sociais, ONGs.

A matriz curricular tem por base uma visão ética humanista, voltada a fomentar o senso de justiça, a solidariedade, a democracia e modelos de desenvolvimento social que sejam inclusivos e não destrutivos da vida humana e dos ecossistemas naturais. O curso nasce atento ao momento histórico-social mundial que demanda profissionais com uma visão de conjunto dos problemas nas dimensões social, cultural, política e ético-moral.

O perfil previsto para o Bacharel em Humanidades comporta uma formação interdisciplinar, uma visão atualizada do mundo globalizado, capacitação em análise prospectiva (pesquisas longitudinais para antecipação de cenários sociais), habilitação para análise e respostas aos problemas sociais contemporâneos, formação teórica e prática, treino em criação de projetos e atuações sociais comunitárias.

São múltiplos os campos de atuação/emprego do Bacharel em Humanidades: universidades (como professores ou técnicos administrativos), empresas, órgãos públicos, movimentos sociais, consultorias, assessorias, entre outros.

Direção Instituto Humanitas

NOTA

Ontem, foi o Dia Nacional da Consciência Negra no Brasil. Para muitos, talvez tenha passado como apenas mais uma data de um extenso calendário de “datas comemorativas” e outros talvez sequer tenham sabido; embora seja uma data com já algum tempo de sua celebração. Mas a data não pode ser vista como apenas “mais uma”, pois ela não é.

O dia ontem não era para comemorar nada! Porque, até aqui, não há ainda o que comemorar.  Talvez apenas comemorar a imensa luta que se travou e trava-se todos os dias. A data existe para denunciar o racismo praticado na sociedade brasileira contra negros e negras. Uma das formas de denunciar e combater o racismo é o aumento da “consciência negra”. Aumento de negra luz da consciência lúcida, esclarecida e crítica que deve atingir a todos na sociedade sobre o racismo praticado, admitido, mas igualmente negado, dissimulado, legitimado. A consciência aumentada de todos sobre a existência de práticas veladas ou escancaradas de preconceito e discriminação contra pessoas negras na nossa sociedade. Algo que não é exclusivo da sociedade brasileira, mas que, entre nós, tem suas próprias formas, delas que chegam até à violência brutal das mortes, mas, mesmo antes, à violência das exclusões, marginalizações, ofensas. Como signo trágico da violência racista em nossa sociedade, a morte de um homem negro em Porto Alegre, por espancamento brutal e covarde, praticado por seguranças de um supermercado, na data ela mesma da “consciência negra”, caiu com a violência de um raio, mas sem nenhuma luz, sem nenhum brilho de consciência, carregado de rancor, ódio, sombra e tristeza com que veio.

O racismo é algo odioso e resta como um testemunho da invenção estúpida segundo a qual “raças” existem entre humanos e que algumas são superiores a outras. As “raças superiores” devendo ter privilégios e dirigir as “raças inferiores”. Algo se passa aqui como ocorre também quanto à divisão da sociedade em classes: as “classes superiores” devem dirigir (e ter privilégios) as “classes inferiores”. Essa é a infraestrutura ideológica de sistemas de sociedade que procuram justificar essas divisões e suas desigualdades. Na sociedade brasileira, por razões históricas e sociais que as ciências humanas já puderam demonstrar, ocorrendo da sua divisão em classes carregar e fazer coincidir a sua divisão em segmentos de origem étnico-cultural. O segmento negro sendo aquele mais afetado por essa divisão, conduzido que foi, histórico e socialmente, à margem de todo o usufruto do trabalho, da riqueza, do poder e dos mais diversos direitos.

A bem da verdade, raças não existem. A ideia de “raça” é ela própria uma invenção do racismo. Brancos, amarelos, negros e mestiços atuais temos os mesmos ancestrais. Nós, seres humanos, descendemos todos de sobreviventes do paleolítico que viveram entre 30 000 e 60 000 anos atrás. Temos todos a mesma origem e portamos essa origem em nossos genes, dna, línguas e outras heranças.

O racismo na sociedade brasileira e no mundo precisa acabar. Não é admissível que seres humanos sofram por preconceito e discriminação motivados pela cor de sua pele. Se seres humanos continuarem sendo humilhados, ofendidos e agredidos por racismo, nossas sociedades estarão perpetuando a imposição de um sofrimento inteiramente evitável mas admitido por muitos como se inevitável fosse. Isso não pode continuar! Por sociedades sem racismo de nenhum tipo! Vidas negras importam! Todas as vidas importam!

Natal, 21 de novembro de 2020

Instituto Humanitas de Estudos Integrados da UFRN

Humanos e Humanidades – Ciclo de Cursos Livres

Tudo que é humano me é íntimo, estranho e (não) familiar. Seguindo este mote, o ciclo de Cursos Livres Humanos e Humanidades, promovido pelo Instituto Humanitas de Estudos Integrados da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, busca agregar a variedade de abordagens do humano que o contemporâneo nos oferece: o humano e o não-humano, a técnica e o poder, os processos de sujeição e subjetivação, as artes e as ciências, a barbárie e o brutalismo, o corpo e a sexualidade, o sagrado, a verdade, o saber. Aquilo que, simultaneamente, nos constitui e desconstitui, predica e esvazia, aquilo que revela a nossa opacidade enquanto espécie produto e produtora de regularidade e contingência, de padrões e incertezas. Este esforço dar-se-á de uma perspectiva, como o é a vocação abraçada pelo Instituto Humanitas, fundamentalmente transdisciplinar, interessada antes em suscitar e formular problemas e perguntas genuínas do que em, de pronto, oferecer respostas e soluções.

As inscrições serão feitas através de formulário de inscrição disponibilizado na descrição do próprio vídeo, com prazo para preenchimento durante todo o dia de lançamento do vídeo.

Os certificados serão garantidos para todas/os aquelas/es que preencheram o formulário de inscrição no prazo estabelecido.