O futuro é um bem público comum ainda não existente, mas com valor potencial. Não pode ser medido e não pode ser avaliado em si mesmo. Só pode ser medido e avaliado pelo seu passado, pelo que fazemos agora. Como a água ou o ar, o futuro pode ser melhor ou pior de acordo como o tratamos agora. O futuro como bem público é uma mescla de insumos tangíveis e intangíveis que são, ao mesmo tempo, o resultado da forma e qualidade com que utilizamos o capital natural e o acervo cultural.

Avanços conceituais importantes foram alcançados e consensuados em nível internacional através do multilateralismo. O Relatório Brundtland e a Rio92 plasmaram o conceito de Desenvolvimento Sustentável e aprovaram, no consórcio de nações, o mais abrangente e ambicioso programa de mudanças da história, a Agenda 21.  Um novo paradigma de pensamento sobre um futuro sustentável para a nave Terra foi colocado à disposição dos países e dos cidadãos do mundo. Um programa de ação que poderia e deveria incidir especialmente sobre a educação, a ciência e a tecnologia. Temos, hoje, as agenda da ONU “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio” e a “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. Mas, precisamos, em todas as instâncias e âmbitos, fazer nossa parte e tornar possível a implementação dessas agendas e objetivos.

Precisamos oferecer uma educação para um futuro sustentável. E oferecer ciência, tecnologia, filosofia e arte como atividades humanas que sejam também reflexões e indicações de soluções de problemas e dilemas globais, compartilhadas através da cooperação multilateral para um futuro comum. Um futuro a ser construído hoje a partir dos princípios da liberdade e da diversidade.

A crise climática, a persistente desigualdade, a pandemia, o desafio democrático e o fracasso nos modelos de crescimento econômico demandam, como nunca, que o conceito de sustentabilidade seja compreendido e aplicado. Nosso futuro pode depender disso.  “O futuro necessita ser protegido da tendência de tê-lo todo de uma vez hoje, ou talvez não haja nada para o resto de nós amanhã” (Leonardo Quattrucci).

Esse é o desafio e o contexto de criação da PLATAFORMA NOSSO FUTURO COMUM, que o Instituto Humanitas/UFRN prepara e que será lançada brevemente. Com a participação de professores-pesquisadores do IH, pesquisadores do grupo Klimapolis (Alemanha-Brasil) e pesquisadores com larga participação em atividades da ONU, a Direção do IH instituiu uma coordenação para a elaboração do projeto e produção de um portal digital no qual estarão todas as iniciativas da Plataforma. Serão três os principais eixos do projeto: Nosso Futuro Comum como Programa de Ensino, Nosso Futuro Comum como Programa de Pesquisa e Nosso Futuro Comum como Projetos de Intervenção.

Necessitamos educação e investigação sem limites para o pensamento criativo e crítico e, ao mesmo tempo, comprometida com uma nova cadeia de valores. O conceito de sustentabilidade vem se desgastando com o tempo e necessitamos revigorá-lo, e em amplo sentido: não apenas na semântica econômica e desenvolvimentista com o qual foi majoritariamente capturado, mas, igualmente, numa perspectiva da habitabilidade do mundo do ponto de vista também da dignidade humana em suas esferas psíquicas, morais, políticas. Não se trata da sustentabilidade do desenvolvimento capitalista, nem dos sistemas de sociedade tal como existem, mas sustentabilidade da vida no planeta, sustentabilidade da dignidade da vida humana. A PLATAFORMA NOSSO FUTURO COMUM pode proporcionar este ambiente de renovação, de criação e libertação das amarras ideológicas que muitos ambientes estão imersos nos dias de hoje. Pensemos no passado e no presente com os olhos no futuro. O Nosso Futuro Comum é um determinante da nossa vida na nave Terra, e não importa onde estejamos.

Direção do Instituto Humanitas UFRN