GT-04: CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA PORTUGUESA

coordenadores:

Paulo César Possamai

E-mail: paulopossamai@cchla.ufrn.br

Departamento de História

Prof. Ms. Muirakitan Kennedy de Macedo

E-mail: muirakytan@uol.com.br

Departamento de História CERES

Local: Consequinho

Primeiro dia

01: FREGUESIA DA GLORIOSA SENHORA SANTA ANA DO SERIDÓ: A PRODU-ÇÃO DE UMA CARTOGRAFIA DA FÉ

Helder Alexandre Medeiros de Macedo

heldermacedo@katatudo.com.br

Dr. Paulo César Possamai - Orientador

paulopossamai@cchla.ufrn.br

Programa de Pós-Graduação em História - CCHLA – UFRN

A Freguesia da Gloriosa Senhora Santa Ana do Seridó foi criada em 1748, desvinculada da de Nossa Senhora do Bom Sucesso, do Piancó. A sua instalação, na sede da Povoação do Caicó, representa um dos frutos do movimento de expansão da fronteira pecuarística no sertão da Capitania do Rio Grande, vez que corresponde à institucionalização de mais uma cartografia para a região: a da fé. Interessa-nos, com este trabalho, indagar a respeito de como se deu a produção do espaço dessa freguesia: qual a paisagem natural que serviu de base para que a Igreja Católica pensasse e cartografasse os seus limites e quais as implica-ções desse ato; qual a estrutura da freguesia e sua relação com as manchas urbanas surgidas no sertão a partir do século XVIII; quais os grupos sociais que conviviam no espaço apa-drinhado por Santa Ana e quais as fontes coloniais que nos permitem conhecer o cotidiano e as cifras populacionais da freguesia. A inspiração para que formulássemos essas pergun-tas surgiu a partir da problemática levantada por Simon Schama a respeito da intrínseca relação entre homem, natureza e cultura. Acreditamos que a escolha da Povoação do Caicó para sediar a Freguesia de Santa Ana tenha relações muito próximas não apenas com os grupos sociais que conviviam desde o início do Setecentos nesse território, mas, também, com as condições propiciadas (por vezes, hostis) pelo meio natural. Essa hipótese poderá ser melhor verificada quando nos debruçarmos sobre as fontes que elencamos, na tentativa de responder aos objetivos da pesquisa: livro de tombo da freguesia; correspondência ofici-al das Capitanias de Pernambuco e anexas e do Rio Grande; crônicas coloniais e narrativas orais colhidas no início do século XX e publicadas pela historiografia regional.

02: OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA

Úrsula Andréa de Araújo Silva

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Atualmente ouvimos uma série de discussões acerca da Amazônia, inclusive por to-do o potencial econômico e terapêutico que ela oferece. Contudo, nem sempre a Amazônia foi vista assim. Durante o início do período colonial brasileiro, ela teve um papel secundá-rio e figurou como uma prisão para degredados do reino. Porém, com o passar do tempo, os missionários começaram a ocupar as margens dos rios da região e promoveram o trabalho religioso ali, o que possibilitava a penetração e a ocupação do sertão amazônico. Mesmo assim as atenções do governo português continuavam voltadas para as capitanias açucarei-ras. Somente com a intensificação desse movimento – bandeiras – e com a conseqüente descoberta de potencialidades econômicas é que a Amazônia torna-se preocupação política. Assim, pretendemos buscar na bibliografia a emergência amazônica no cenário colonial e a atuação dos religiosos conjuntamente com a dos colonos nesse contexto.

03: “AS CERIMÔNIAS PÚBLICAS NAS IRMANDADES DE HOMENS PARDOS NOS SÉCULOS XVII E XVIII”

Ivson Augusto Menezes de Souza Leão

Orientadora: Profª Drª Kalina Vanderlei Silva

Instituição: Universidade de Pernambuco

Grupo de estudos História Sócio-Cultural da América Latina

Surgido na Europa no século XVII, o Barroco transformou-se em uma estrutura de pensa-mento que foi trazida para América portuguesa. Ao chegar na colônia foi reinterpretado e adaptado às condições sócio-culturais a partir do contato com os grupos sociais existentes, índios, africanos e reinóis. Utilizando-se deste cenário colonial barroco dos séculos XVII e XVIII nas vilas açucareiras de Pernambuco, observamos as cerimônias barrocas das irman-dades de homens pardos, isto é, cortejos, procissões e festas como instrumento de resistên-cia, distração, dominação e diversão. Para tal pesquisa utilizamos os compromissos das irmandades leigas.

04: PRESENTE DE NEGRO: RELAÇÕES DE COMPADRIO ENTRE NEGROS E BRANCOS NA CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE.

Sebastião Genicarlos dos Santos.

Discente do curso de História

CERES/UFRN 

E-mail: genicarlos2000@yahoo.com.br

Não raramente encontramos na historiografia, alusões às relações de compadrio entre es-cravos e senhores, onde o principal motivo para que ocorresse esse tipo de relação era a intenção de adquirir pecúlio para a compra da alforria dos escravos. Este é o ponto de vista pelo qual a família escrava seria beneficiada, pois um de seus membros estaria sob a “pro-teção” de alguém com grandes possibilidades de ajuda-lo a livrar-se da condição de escra-vo. Mas, e o senhor o que ganharia com isto?  Não é refutável a idéia de que ao tornar-se padrinho de um escravo o senhor cumpriria o papel de um benevolente religioso. Em con-trapartida receberia como PRESENTE DE UM NEGRO, a responsabilidade de doar uma pequena parte dos seus bens a um não parente, a fim de propiciar a compra de sua alforria. Neste sentido, objetivamos estudar essas relações na região que compreende o atual Seridó (Capitania do rio Grande) durante o século XVIII. Para tal usamos como base de dados os inventários post mortens do fundo da comarca de Caicó/1º Cartório Judiciário, hodierna-mente, sob a guarda do LABORDOC (Laboratório de Documentação Histórica) UFRN. Estes documentos também subsidiam as pesquisas da equipe que compõe o projeto “San-gue da Terra: história da Família Seridoense Colonial”, coordenado pelo professor Mui-rakytan Kennedy de Macedo. Realizamos ainda uso das leituras e inspirações historiográfi-cas de Cristiany Rocha (2004), Mary Karash (2000) e Denise Monteiro (2002). O diálogo com as fontes nos fez “saber” que no recorte espacial da pesquisa, ocorria também este tipo de prática cultural, onde em dezessete inventários pesquisados e palmilhados constatamos a incidência desse costume, em cinco documentos. Isto evidencia o fato de que pelo menos neste aspecto a escravidão tecida no Seridó não diferia da forma praticada em outras regi-ões da América Portuguesa. Embora, esta apresentasse suas peculiaridades.

05: DOS MALES, O MAIOR: SAÚDE E DOENÇA NOS ESCRAVOS DA CAPATANIA DO RIO GRANDE DO NORTE. (SÉCULOXVIII).

Sebastião Genicarlos dos Santos.

E-Mail: genicarlos2000@yahoo.com.br

Hugo Romero Cândido da Silva.

E-Mail: hugoromeros@yahoo.com.br 

Semelhante ao que ocorreu nas demais regiões do semi-árido da América portuguesa, a colonização sertaneja da capitania do Rio Grande realizou-se sob a égide da pecuária, pois mesma não poderia dividir espaço com a economia canavieira que ocupava terras próximas ao litoral, região propícia para a esse produto central da exportação colonial. Deste modo povoaram-se os sertões de fazendas de gado, sendo a mão de obra escrava um dos sustentá-culos desta economia no espaço que viria a denominar-se Seridó. Todavia, nesta região, a escravidão caracterizou-se por um pequeno número de cativos em relação às regiões cana-vieiras, visto que o criatório poderia ser executado por pouca quantidade de pessoas, Par-tindo desta perspectiva, esta pesquisa objetivou uma melhor compreensão da escravidão seridoense, através de estudos sobre a saúde e mazelas que afetavam os seus escravos. A base de nossa pesquisa encontrou-se nos inventários post- mortens do fundo da comarca de Caicó/ 1º cartório judiciário, que estão atualmente sob a guarda do LABORDOC ( Labora-tório de Documentação Histórica) UFRN, e que compõem a pauta de pesquisas do projeto “ Sangue da Terra: história da Família Seridoense Colonial” coordenado pelo professor Mui-rakytan Kennedy de Macedo. Analisamos dezessete inventários do século XVIII, que deli-nearam um recorte de 37 anos (1737-1774). A análise deu-se através das leituras de Mary C. Karasch (2000), Denise Matos Monteiro (2002) e Olavo de Medeiros Filho (1983) e preenchimento de fichas de coleta. Nos documentos pesquisados encontramos 52 escravos dos quais 11,53% apresentavam alguma mazela, enquanto que 88,46% eram tidos como saudáveis, fator que influencia no valor dos escravos. Percebemos que a sanidade da escra-varia era motivo de preocupação dos proprietários sertanejos, pois a maioria não apresenta-va deformidades físicas ou doenças, naqueles que sofriam algum mal constatamos que a hérnia era o mais comum, junto as mutilações, ambas provavelmente frutos do trabalho cotidiano, logo, o trabalho era um dos maiores causadores das mazelas dos escravos.

06: O SERTÃO E O ABASTECIMENTO DE ALIMENTOS NAS VILAS AÇUCAREI-RAS.

Alberon de Lemos Gomes (Orientador) –  UPE - Universidade de Pernambuco

Tiago Silva Medeiros (Proponente)  - UPE – Universidade de Pernambuco

Grupo de Estudos em História Sócio-Cultural da América Latina - GEHSCAL

Propomos nesse trabalho uma contribuição à revisão não só da historiografia econômica, como dos estudos da história colonial brasileira.  Com esse intuito, estudaremos o sertão e  o abastecimento de alimentos nas vilas açucareiras do Nordeste colonial entre 1654 e 1750 e assim, estudar o fluxo comercial entre  o sertão e as vilas açucareiras do nordeste colonial pela  necessidade de abastecimento alimentar do litoral especificando as analises do proces-so de produção de alimentos, em especial farinha  de mandioca, carnes verdes e secas, no Sertão Nordestino.  Visamos aqui avaliar documentos oficias burocráticos, para melhor visualizar os aspectos sócio-políticos desse comércio e, assim, reconstituir o processo de abastecimentos na economia  interna do nordeste brasileiro e averiguar o impacto desse comércio  na economia interna do Nordeste colonial.

07: A RELIGIÃO TUPI NO PRIMEIRO SECULO DE CONQUISTA PORTUGUESA NA AMÉRICA.

Beatriz Costa Paiva

Orientadora: Kalina Vanderlei Silva

UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO

FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE NAZARÈ DA MATA

Esta pesquisa investiga a construção da religião Tupi no primeiro século de colonização portuguesa no atual território do litoral brasileiro. Faz-se relevante mencionar o conceito de religião. Segundo Helen Clastres para o conceito ocidental de religião são necessários al-guns elementos básicos, como: os cultos, os rituais, as cerimônias, os templos, as divinda-des etc. Isto não foi encontrado pelos missionários  na crença Tupi levando-os  considera-rem os Tupi como um povo desprovido de fé e religiosidade. Na realidade, este não era o conceito pelo qual os tupi encaravam a religião. A sua crença era baseada em um mundo aonde o homem (e não Deuses) era a essência da criação. Os missionários não conseguiram interpretar a crença Tupi sendo esta mal vista pelos colonos e jesuítas. Como a documenta-ção parte principalmente destes autores criou-se uma visão estereotipada acerca da inexis-tência da religião na cultura Tupi. Pretendemos resgatar a religião Tupi levando em consi-deração o imaginário dominante da época em relação a mesma. Partimos, desta forma, de um estudo sócio cultural para observar a relação entre os Tupi e os colonos bem como as condições de existência desses personagens na sociedade colonial.

08: A CONQUISTA TERRITORIAL DA AMÉRICA: O CASO DOS PAULISTAS NA COLONIZAÇÃO DO SERTÃO NORDESTINO NOS SÉCULOS XVII E XVIII

Mirian Silva de Jesus (autora)

Mestranda em História/UFRN;

Paulo César Possamai (orientador).

Os motivos econômicos que levaram a conquista do sertão, baseado na pecuária, são bas-tante conhecidos da historiografia clássica. Porém as conseqüências desastrosas da guerra envolvendo a Coroa portuguesa, os colonos pecuaristas, a população da zona canavieira e as tribos continentais, tiveram pouca ênfase por essa historiografia. A chamada “Guerra dos Bárbaros”, iniciada na segunda metade do XVII, se desenrola em duas frentes principais: o recôncavo baiano e os vales de rios do Rio Grande, principalmente do Açu. O Rio Grande, assim como todo território que compreende do norte do São Francisco ao Ceará, estava sob jurisdição do governo pernambucano, o qual servirá como centro de irradiação das tropas mobilizadas para o sertão. Conhecido pelo imaginário da zona açucareira desde o século XVI, a idéia de sertão foi construída a partir de uma oposição entre as regiões colonizadas do litoral da América portuguesa e aquelas não inseridas na órbita administrativa metropoli-tana. A conquista desse território significava para a Coroa uma etapa da expansão ibérica, daí os esforços para empreender tal processo. E perante as dificuldades das tropas regulares enviadas para conter o conflito, contrata-se a mão-de-obra bélica dos paulistas – hoje de-nominados bandeirantes - famosos em aprisionar índios e se embrenhar pelos sertões. Sabe-se que os mesmos se valiam da manipulação de tribos aldeados, porém são apontados clas-sicamente como responsáveis pelo fim da guerra. Procuramos observar a participação dos paulistas na Guerra do Açu, analisando os discursos que os envolvem.

09: ARQUEOLOGIA COLONIAL: AS CASAS FORTES (DE PEDRA) NA OCUPA-ÇÃO, DEFESA E RELAÇÕES INTERÉTNICAS NA CAPITANIA DO RIO GRAN-DE - SÉCULO XVII.

Roberto Airon Silva

Prof. Ms. Depto de História

CCHLA/UFRN

larq@cchla.ufrn.br

O contexto da expansão portuguesa diante das invasões holandesas exigiu adapta-ções e modificações, tanto nas estratégias de ocupação quanto no controle do espaço e nas relações entre colonos, índios e sesmeiros. Esse espaço agora, então, tornava-se instrumen-to importante de reavaliação por parte da Coroa portuguesa na utilização e viabilidade eco-nômica desses espaços, desta maneira, ocupados através de doações de novas datas de terra e sesmarias. As referências que se têm da construção das Casas fortes (aqui no Rio Grande cha-madas de “Casas de Pedra”), remontam exatamente ao período dos primeiros embates con-tra o gentio Tapuia nas proximidades do litoral, e nos chamados sertões da Capitania, sendo citadas pela documentação escrita. Parte dessas construções ainda encontram-se em forma de ruínas no espaço norte-rio-grandense, oferecendo a possibilidade de informações materiais, e de uma pesquisa do-cumental para estabelecer as origens, as relações sociais, e as diversas formas de utilização e adequações que sofreram esses lugares no século XVII e início do séc. XVIII. Utilizamos uma metodologia arqueológica para recuperar os vestígios materiais na configuração das relações interétnicas nesses espaços, e de uma metodologia de análise histórico-documental para recuperar as informações escritas para adequar a dimensão mate-rial à dimensão social.

10: E NO MEIO DOS CAMINHOS, UMA CASA DE PEDRA...

CAMINHOS ANTIGOS E OCUPAÇÃO NO RIO GRANDE DO NORTE.

Florizel de Medeiros Júnior

Ana Larissa Araújo de Menezes Cardoso Bueno Freire Teixeira

Alunos do Departamento de História

A política inicial de colonização da América Portuguesa, calcada na ocupação e ex-ploração econômica do litoral, se reveste de um novo impulso colonizador durante o século XVII e primeira metade do século XVIII. Isso se manifestou concretamente através da construção de inúmeras casas-fortes, conhecidas como “casas de pedra”. Como parte de um projeto mais amplo que visa a analisar como essas construções assumiram as funções de fortaleza e moradia, aglomerando em torno de si contingentes populacionais, se pensou a respeito de estudar as estradas e caminhos que durante esse re-corte cronológico serviram não somente à interligação desses núcleos ocupacionais, mas também como vias de penetração. Tendo em vista tais considerações, objetiva-se por meio deste trabalho responder à duas questões principais: quais os caminhos fluviais e terrestres e como os mesmos influen-ciaram nas relações interétnicas? No sentido de elucidar tais questionamentos, utilizaremos subsídios históricos (fon-tes bibliográficas e documentação cartográfica) e de métodos arqueológicos (observação in situ, sondagem, elaboração de planilhas, uso de GPS e detector de metais etc.). Com isso, visa-se a fazer um mapeamento dessas estradas e caminhos coloniais no RN, a fim de dimensioná-los no espaço atual, bem como promover o entendimento espa-ço/ocupação no referido recorte temporal.

11: DIRETÓRIO DOS ÍNDIOS: IMPLANTAÇÃO E RESISTÊNCIA NO NORDESTE

Fátima Martins Lopes

Professora Assitente do DEH-UFRN

Doutoranda em História na UFPE

No presente trabalho, o que se estuda são as formas com que as autoridades da área sob a jurisdição da Capitania de Pernambuco receberam e implantaram a legislação indigenista pombalina em meados do século XVIII: o Diretório dos Índios. Estudam-se, ao mesmo tempo, as ações dos índios aldeados frente à imposição da nova forma de relacionamento entre índios e não-índios. Nesse sentido, identifica-se, no primeiro momento de implanta-ção, um movimento político pautado nas conversações e nos acordos entre o Governador de Pernambuco e os Principais indígenas da sua jurisdição, onde são observadas as variadas estratégias de dominação dos colonizadores, assim como a resistência indígena que impu-nha limites à implantação das determinações legais.

12: A RESISTÊNCIA INDÍGENA E O IMPÉRIO ATLÂNTICO PORTUGUÊS NO NORDESTE COLONIAL BRASILEIRO (SÉCULO XVIII).

Soraya Geronazzo Araújo

Profa. Depto de História/UERN

Grupo de Estudos do Século XVIII – UFC

sogeronazzo@ibest.com.br

Após a expulsão dos holandeses do Nordeste colonial brasileiro e com todas as dí-vidas arcadas por Portugal na guerra de reconquista, esta região apresentou-se como uma possível geradora de dividendos. O projeto implantado nesta região visava a exploração de novas áreas para intensificar a criação de gado, para com isso melhor explorá-la  economi-camente. Desta forma, passaram a ocupar antigas áreas de domínio de vários grupos indí-genas comumente conhecidos à época como Tapuias. O resultado foi um confronto entre colonos e índios que perdurou durante mais de vinte anos, trazendo graves conseqüências econômicas e produzindo adequações e modifi-cações que geraram novas práticas e formas culturais, inclusive no próprio mecanismo de ação de guerra. Além disso, novos conceitos foram formados sobre os grupos indígenas transformando-os em indivíduos alijados do processo econômico e social vindouro. Utilizamos fontes documentais escritas, impressas e digitalizadas do Instituto Histó-rico do Rio Grande do Norte; da Divisão de Documental e Pesquisa da Universidade de Pernambuco e Documentos do Projeto Resgate de Documentação Histórica Barão do Rio Branco do Ministério da Cultura/BR.

13: GASTRONOMIA SERTANEJA: HISTÓRIA E MEMÓRIA

Maria das Vitórias de Araújo Macedo

Especialista em Patrimônio Histórico Cultural e Turismo (UFRN-CERES)

A gastronomia sertaneja está arraigada as origens e histórias de povos que vieram colonizar o Brasil no século XVI, ou seja, a base histórica e etnográfica se fundamenta na cozinha derivada do cardápio do cardápio indígena, da dieta africana – especialmente a da África Ocidental, e da cozinha portuguesa que através da re-elaboração das receitas e da substituição de ingredientes, teria se consolidado por volta do final do século XVIII, e assim assumindo a dominação social e cultural sobre indígenas e africanos.Quanto a isso podemos dizer que a cozinha indígena se traduz na constante permanência alimentar de frutos, raiz, caça e pesca, suas técnicas, recursos e condimentos, a fabricação de alimentos sólidos e líquidos, e a participação na comida contemporânea nacional. Já os africanos, da África Ocidental, sudaneses e bantos no final do século XVII e no século XVIII deixaram marcas culturais nos viveres dos grandes engenhos de açúcar brasileiro. Sua presença influenciou o Brasil com sua atuação na cozinha da casa grande e nas ruas. Os portugueses, como cultura dominante, importaram produtos, substituíram ingredientes que incorporados aos saberes disponíveis fizeram a cozinha brasileira, onde cores, formas e sabores dão gosto ao paladar com grande variedade de produtos que se caracterizaram no vasto território do Brasil. Nesse sentido, a presente monografia investiga como historicamente se processaram esses costumes culinários e que de maneira eles se incutiram no cotidiano da família seridoense e ganha respaldo no campo turístico.

Segundo dia

14: SERIDÓ COLONIAL: família patriarcal, terra sagrada e sociedade patrimonialista

Douglas Araújo

Doutor pela UFPE e professor do DHG/CERES/UFRN.

O trabalho discute aspectos do caráter patriarcal e patrimonialista da formação colonial do Seridó. Destaca o papel pivotante do patriarca e de sua família como núcleo ordenador da vida social, cultural e econômica da região. Neste contexto, o espaço territorial foi representado como terra prometida ao colonizador e miscigenador católico que teve a proeza, de incorporando elementos das etnias submetidas, aculturar o negro e o ameríndio. Enquanto espaço sagrado, o sertão do Seridó foi construído como lugar da promissão, da permissão, da queda pelo pecado, e também, como lugar da remissão desses pecados. Como recheio desse mundo religioso e oficial se catalisaram as lendas, os mitos, os contos e estórias pagãs centrifugadas pelo de miscigenação cultural e étnica. Dessa forma, se constitui nessas plagas do Rio Grande do Norte uma sociedade tradicional possuidora de uma dinâmica social, econômica e cultural com peculiaridades próprias que não podem ser confundidas com outros espaços e outras territorialidades da sociedade colonial brasileira.

15. CAPITANIA DO RN, FRAGMENTOS DE REVOLUÇÃO: Análise do governo dos capitães mores do Rio Grande do Norte (1802 a 1811)

Adriana Carla de Azevedo Borba

Mestranda do Programa de Pós-graduação de Arquitetura e Urbanismo (PPGAU)/ Dep. de arquitetura/ UFRN/ Bolsista da CAPES.

Este trabalho trata da análise do governo de dois capitães-mores da então capitania do Rio Grande do Norte, a saber: Lopo Joaquim de Almeida Henriques (1802 a 1806) e José Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque (1806 a 1811), num total de onze anos (1802 a 1811). Em pesquisa exploratória, o que chamou atenção foi o aparecimento constante de denúncias e conflitos acerca de um governo (ex-capitão-mor Lopo Joaquim Henriques) e sobre o outro governo, elogios e agradecimentos (ex-capitão-mor José Francisco de Albuquerque), demonstrando atuações políticas completamente divergentes num curto espaço de tempo. Identificada esta situação, surgiram algumas questões de pesquisa: esta dicotomia entre os dois governos realmente existiu? Caso comprovada, qual destes dois governos se ligavam às ideologias vigentes e qual seria o contexto internacional e nacional à época que forneciam subsídio a estas ideologias? Que condições permitiram duas formas de governo tão distintas num período tão curto? Visando elucidar tais perguntas, procurou-se construir um quadro referencial da (s) ideologia (s) vigente (s) – movimentos intelectuais e contexto sócio, político ou econômico – que poderiam ter servido como pano de fundo justificando as condutas e ações governamentais. Foi levantado o contexto internacional e nacional do período, através de pesquisa bibliográfica. Em seguida levantou-se realidade da capitania do Rio Grande do Norte; na seqüência foi feita uma biografia dos dois capitães-mores e através de análise estatística simples foram comparados os governos de cada um, tomando como fonte documentos contidos no Arquivo Histórico Ultramarino. Pode-se afirmar que este momento da história do RN é ilustrativa de uma situação macro que vinha se processando no restante do mundo. É um exemplo bastante didático de dois governos: um absolutista, em declínio e outro adepto a ideais democráticos, dentro dos padrões da época, enfim, um fragmento de uma realidade que vinha acontecendo em todo mundo.

16: Perquirindo Testamentos e Inventários: da história do dote no Sertão do Seridó (1754 - 1795).

Muirakytan Kennedy de Macêdo

(muirakytan@uol.com.br)

Professor do Dhg da UFRN –CERES – Campus de Caicó

Rosenilson da Silva Santos

(rosenilsonsantos@yahoo.com.br)

Discente do Curso de História da UFRN –CERES – Campus de Caicó

Percorrendo as sendas caligráficas e históricas dos testamentos e inventários das famílias seridoenses coloniais, visualizamos a partir das leituras que lançamos sobre os mesmos, fragmentos dos costumes e cotidiano dos habitantes do Sertão do século XVIII. Neste lugar, a exemplo de outros da colônia, famílias abastadas concediam quantias em bens, muitas vezes vultuosas, as suas filhas casadouras, o dote. Neste sentido nos propomos a estudar a composição dos dotes que foram outorgados nesta plaga, cuja capitalização era inferior a região açucareira.  O trabalho partiu do rastreamento da fonte que pudessem servir de suporte para as análises, encontradas no Fundo da Comarca de Caicó, e hoje custodiadas pelo LABORDOC (Laboratório de Documentação Histórica. UFRN/CERES/CAICÓ). Obras de Muriel Nazzari (2001), Sheila de Castro Faria (2002) e Maria Beatriz Nizza da Silva (1998), serviram de arcabouço para a observação do objeto na conjuntura histórica da colônia e elementos que permitiram estabelecer analogias entre os bens que compunham os dotes concedidos pelas famílias do Seridó e de outras capitanias. Num universo de 82 inventários, que o Fundo dispões do século em questão, 45 foram lidos e colhidas as informações concernentes ao nosso objeto de estudo, delimitando o interstício nos anos de 1754 a 1795, períodos que remetem ao primeiro inventário em que se encontra dote e ao último, respectivamente. Integravam os dotes os bens que consideramos essenciais para a manutenção do modo de vida da época: os bens de raiz: casas, sitos, fazendas e os bens semoventes: escravos, bois, cavalos, dentre mais, artefatos de cozinha feitos de prata e outros metais, assim como também, jóias que adornavam os corpos e preservavam o status da família, segundo Muriel Nazzari.

17: O SENADO DA CÂMARA SETECENTISTA E OS EXPOSTOS DA FREGUESIA DE   Srª DA APRESETAÇÃO, CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE

Thiago do Nascimento Torres de Paula

 (Graduando em História / UFRN)

Orientador: Prof. Dr. Paulo César Possamai

Este trabalho é parte do último momento de uma pesquisa sobre crianças expostas na Freguesia de Nossa senhora da Apresentação, na segunda metade do século XVIII. Temos por fim, caracterizar os documentos de Termos de vereação pertencentes ao Senado da Câmara da cidade do Natal, localizado na freguesia. Dentro dessa discussão, vamos apresentar os resultados parciais de nossa investigação documental, externando quais foram as posições dos camaristas diante do processo de abandono de crianças recém-nascidas na jurisdição eclesiástica. Considerando que a pesquisa está em processo de conclusão.

18: “RITOS FÚNEBRES NAS IRMANDADES LEIGAS NO PERNAMBUCO COLONIAL DOS SÉCULOS XVII E XVIII”

Myziara Miranda da Silva Vasconcelos

Orientadora: Prof Dr Kalina Vanderlei Silva

Instituição: Universidade de Pernambuco

Grupo de Estudos História Sócio- Cultural da  América Latina

Partindo da análise dos compromissos das irmandades leigas das vilas açucareiras pernambucanas, nos séculos XVII e XVIII, procuramos reconstruir as atitudes e o imaginário do homem colonial diante da morte. Sabemos que a crença na vida além-túmulo. Está presente nas culturas barroca ibérica, africana e indígena e que portanto, as ações dos homens durante a vida refletiam sua preocupação com o destino após a morte. A busca pela salvação da alma levava brancos, pretos e pardos na sociedade açucareira a se tornarem membros das irmandades leigas, isto porque estas associações tinha por objetivo maior, além da função assistencialista, a promoção de funerais honrosos. Os estatutos compromissais, documentos onde estão listados uma série de procedimentos sobre o modo como os irmãos deveriam se comportar com relação a atos específicos, reservam diversas capítulos referentes à forma de como proceder na assistência aos irmãos defuntos. Dentro desse contexto, buscamos traçar o perfil das cerimônias de enterramento realizadas pelas confrarias no Pernambuco colonial.

19: O Monte e a Fé: Olinda quinhentista e seus cristãos-novos.

Daniel Oliveira Breda

Licenciado em História/UFPE

Mestrando em História/UFRN

E-mail: mrbreda@gmail.com

Olinda quinhentista. Uma cidade na colina à beira-mar: o urbanismo de defesa mais viável diante das dificuldades dos princípios da capitania Duartina. A ocupação do espaço das colinas foi cravejado, não obstante a falta de um planejamento complexo, de alguns fortes símbolos da sociedade portuguesa na América. No alto, o colégio dos Jesuítas, a Sé, a casa do Donatário e a Santa Casa de Misericórdia formavam um polinômio alegórico do quadro institucional português na América. Ao lado dos monumentos da Fé, na rua dos Palhais, na ladeira da Misericórdia amontoavam-se as casas dos primeiros colonizadores. Talvez a área mais ‘nobre’ do espaço urbano. Quando nos debruçamos sobre os documentos para buscar seus moradores surgem nomes de diversos moradores cristãos-novos, um elemento tão relevante e controverso do universo colonial barroco europeu. Que indícios pode nos dar esta organização espacial de Olinda? Que particularidades para a socialização este avizinhamento com cristãos-novos pode ter proporcionado, especialmente quando superposto à situação portuguesa? Esta comunicação busca explorar algumas nuances da espacialidade olindense, com enfoque em sua dinâmica cristã-nova.

20: Os judeus e cristãos-novos e sua marginalização no período filipino.

José Carvalho Silva Júnior

Dig.carvalho@ig.com.br

Universidade Federal do rio Grande do Norte

A partir da Idade Média os judeus entraram na Europa junto com vários povos que chegaram ao Ocidente. Apesar de já nesse período terem sido importantes para o seu desenvolvimento social, econômico e cultural, foram alvo de constantes perseguições, repetindo o que já vinham sofrendo no transcorrer de suas migrações por vários lugares do mundo, especialmente os de cultura cristã. A ganância e radicalismo da política ibérica tiveram um significativo aumento com a ascensão da dinastia dos Habsburgos a Coroa de Castela. Este foi um período importante e de grandes transformações ditadas por uma dinâmica que a maioria dos historiadores concordam em caracterizar como de expansão imperialista. O período habsburgo foi marcado pelo ímpeto religioso representado, sobretudo, pelas figuras de Carlos V e Felipe II. A questão a ser estudada é então o aumento da perseguição aos judeus e cristãos-novos na Península Ibérica e na sociedade colonial brasileira durante o período de União Ibérica, definindo desse modo o tema deste trabalho: os judeus e cristãos-novos e sua marginalização no período filipino. Nosso objetivo é apresentar os resultados de um estudo sobre a marginalidade dos judeus e cristãos-novos na Idade Moderna, expondo a trajetória dessa marginalidade da Europa até a América, assim como, entender essa problemática aplicada a União Ibérica, com a atenção centrada na política dos Habsburgos.

21: A Inquisição e o Barroco: O tratamento ambíguo nos casos de blasfêmia e sacrilégio nas Visitações do Santo Ofício ao Brasil colônia.

Raul Goiana Novaes Menezes

raulgsp@hotmail.com

Ms. Alberon de Lemos Gomes (Orientador)

lemos79@msn.com

Faculdade de Formação de Professores de Nazaré da Mata

Grupo de Estudos de História Sócio-cultural da América Latina

A insuficiente malha eclesiástica e a inexistência de um tribunal da fé no Brasil colonial forneceram um cenário propício à transgressões dos ensinamentos e doutrinas da fé católica. Tendo em vista as ações do Santo Ofício, através de três visitações, em território brasileiro, o trabalho se propõe a delimitar os conceitos dos crimes de blasfêmia e sacrilégio com base nos decretos do Sagrado Concílio Tridentino, reproduzidos nas Ordenações Filipinas, Cosntituições de Lisboa e nas Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, e também traçar o perfil das pessoas enquadradas nos referidos crimes, utilizando os livros de denunciações e confissões da Bahia(1591-93/1618-19), de Pernambuco(1593-95) e do Grão-Pará(1763-69), tentando apontar a incidência destes delitos nos registros inquisitoriais. Enxergando o espaço colonial como tentativa de recriação adaptada dos moldes sociais da Metrópole, a pesquisa tem por objetivo entender o discurso da Igreja Católica e como ela tratava e punia de diferentes maneiras indivíduos acusados de crimes semelhantes tendo como parâmetro a posição social do criminoso, revelando mais uma nuance da estrutura de pensamento gerada na sociedade colonial

22: “OS PAPÉIS SOCIAIS DESEMPENHADOS PELAS MULHERES NA SOCIEDADE BARROCA COLONIAL DOS SÉCULOS XVII e XVIII”

Juliana da Cunha Sampaio

Orientadora: Profª Drª Kalina Vanderlei Silva

Instituição: Universidade de Pernambuco

Grupo de estudos História Sócio-Cultural da América Latina

Quando ocorreu a implementação do projeto colonial nas Américas, inúmeras instituições metropolitanas foram transplantadas para as colônias, entre elas as irmandades leigas. Percebendo essas irmandades como espaço de inserção de homens e mulheres de cor na sociedade barroca colonial, buscamos, através da análise dos estatutos compromissais -conjunto de normas que regem as confrarias -, verificar como se desenvolviam os papéis sociais femininos no “espaço público”. Para essa compreensão, levamos em conta as reelaborações culturais feitos por esses homens e mulheres de cor, os discursos misóginos da igreja católica e o imaginário barroco, que permeava as relações sociais no período colonial. Observamos por meio da análise dos Estatutos compromissais, a possibilidade das mulheres exerceram funções consideradas proibidas no “espaço privado”, como ocupar cargos administrativos e ter iguais direitos aos homens em algumas ocasiões, tais como, o enterramento, o título de rainha do congo, no caso das irmandades de pretos, e a participação em cerimônias públicas.

23: Inter universitas et collegium: o mundo intelectual portugues no século XVI

Lenin Campos Soares

Mestrando em História e Espaços DEH/UFRN

Portugal descobre o Brasil em 1500, e a partir de então se torna foco irradiador de uma tradição cultural para sua colônia americana. Contudo, que cultura portuguesa é essa que vem para o Brasil? Como ela se define? Como ela se organiza? É visando responder a essas perguntas que este trabalho se apresenta. Aqui, através da observação do mundo intelectual português no século XVI, o qual temos acesso, entre outras obras, através de J.S. Dias e Luis Felipe Barreto, tentaremos entender como a cultura portuguesa se organiza para depois ser transposta para o Brasil. Este

trabalho é fundamentalmente de pesquisa bibliográfica e se dá como parte da construção de uma dissertação de mestrado sobre a formação do espaço americano no mundo intelectual europeu por esta tradição cultural oriunda do Renascimento.

24: AS REPRESENTAÇÕES SOBRE A MULHER NA LITERATURA DA AMÉRICA IBÉRICA: AS OBRAS DE SÓROR JUANA INÉS DE LA CRUZ E PADRE ANTONIO VIEIRA NO SÉCULO XVII.

Isabela Maria Lucena Batista de Araújo Pereira

Orientadora: Kalina Vanderlei Silva

Faculdade de Formação de Professores de Nazaré Da Mata

Pretendemos analisar as representações femininas nas obras de Sóror Juana Inés de La Cruz e Padre Antonio Vieira no contexto barroco do século XVII. Através do estudo do contexto histórico e do imaginário social, buscamos entender as visões e imagens que estes autores possuíam da figura feminina. A Igreja tridentina via a mulher como disseminadora de pecados e por isso fazia-se necessária a constante conversão, fiscalizando-a para que agisse segundo os preceitos morais. Daí a existência dos sermões moralizantes e edificantes como os de Vieira. Segundo esses discursos a mulher teria que ser fiel, cuidar da educação dos filhos guiando-os sempre sob os valores morais de conduta. Umas das pessoas que se manifestou contra essa postura misógina foi Sóror Juana Inés de La Cruz. Em alguns de seus poemas questionou porque as mulheres eram pecadoras se os homens as faziam pecar, além de defender o sexo feminino, e o acesso às letras, ciências e ao estudo com um todo. Devido a isso, sofreu reprimendas e pressões para mudar posturas, o que posteriormente parece ter influenciado no seu “abandono” às letras. Diante disso, através dos poemas (como os vilancicos à Santa Catarina) e cartas de Sóror Juana (principalmente a Carta Atenagórica e a Respuesta a Sor Filotea de La Cruz), e sermões de Vieira buscamos compreender como as obras literárias e os discursos de religiosos tão diferentes como Sóror Juana Inés de La Cruz e Padre Antonio Vieira abordam a misoginia no contexto barroco. Percebemos uma tentativa de controle, principalmente por parte da Igreja, inclusive sobre as questões mais intimas, o que demonstra seu poder de coerção da cultura “de homens sobre as mulheres”.

25: PURGANDO PECADOS E LIMPANDO A EUROPA: o degredo no cotidiano dos primeiros séculos de colonização no BRASIl

Francisco das Chagas Silva Souza

CEFET-RN, Unidade de Mossoró. 

e-mail: chagasouza@uol.com.br

franciscosouza@cefetrn.br

É comum ouvir das pessoas e encontrar nos livros antigos de História do Brasil, referências aos primeiros povoadores do país como tendo sido a escória, a gente pobre e desonesta, que era expulsa de Portugal pelos crimes que havia cometido. Alguns intelectuais chegaram a compreender os problemas brasileiros como decorrentes desse passado nada nobre. Assim, com base em uma preocupação revisionista, que tem marcado as pesquisas históricas da atualidade, busca-se compreender quem eram essas pessoas e quais crimes haveriam cometido para receberem tão grave punição. Quais as leis portuguesas vigentes na época? O que estas consideravam crimes? Por que vir para o Brasil era como uma morte em vida? A partir de uma revisão bibliográfica, chegou-se aos seguintes resultados: as Ordenações, sistema jurídico vigente em Portugal na época da colonização, apesar de serem propostas pelo Estado absolutista, tinham fortes influências da Igreja, daí a condenação por crimes cometidos contra a fé; os exilados para o Brasil eram homens e mulheres, nobres e plebeus, que haviam sido condenados pelas severas leis do Reino por cometerem heresias e se chocarem com os rígidos princípios da moral vigentes naquela época; o Brasil, mal visto pelos europeus, assumiu a função de purgatório para os pecados desses criminosos – seria uma transição entre o céu e o inferno. Considerando-se que a concepção de crime varia de acordo com o tempo e os valores de uma sociedade, pode-se concluir que a percepção dos “primeiros brasileiros” como marginais é simplista, preconceituosa e racista. Tais idéias são exageradas e apressadas, criadas sem um rigor acadêmico, e feitas pela historiografia positivista para legitimar os interesses das elites.

26: UM ESTUDO SOBRE A ORGANIZAÇÃO DAS CORPORAÇÕES DE OFÍCIO NAS VILAS ACUCAREIRAS DE RECIFE E OLINDA, SÉCULOS XVII E XVIII.

Marco Tomé Costa Monte – costamonte@hotmail.com

Orientadora: Kalina Vanderlei Silva – kalinavan@uol.com.br

UPE – F.F.P.N.M. (campus de Nazaré da Mata)

Durante a segunda metade do século XVII e todo século XVIII, a busca por status, respeito e privilégio era uma constante da sociedade colonial escravista açucareira da capitania de Pernambuco. Dentro desse contexto, havia a tentativa de inserção social de negros e sua participação nas corporações de ofício, e a urbe colonial americana portuguesa, como palco deste processo. Destarte, objetivamos, de uma forma geral, compreender mais sobre o cotidiano dos pretos que viviam nas vilas açucareiras portuguesas de Recife e Olinda, durante o período colonial. Para tanto, através da perspectiva de Peter Burke - que procura entender as relações sociais por meio de uma abordagem cultural - e da análise do livro de Cartas Patentes, observamos a relevância da manutenção das corporações pelos negros, enfocando os aspectos de diferenciação social, que a inclusão nestes grupos de trabalho trazia para o escravo ou forro que deles participasse, a relação das corporações com a festa de coroação de rei do Congo e a importância que elas tinham dentro dessa sociedade.

27: A repressão sexual vista na através da documentação Inquisitorial

Michele Silva Santos

Graduanda em História

O estudo em questão faz parte da monografia que está sendo redigida a fim de ser defendida ao fim do curso de história da UFRN. Observamos que, nas monografias apresentadas, a relação entre Inquisição e sexualidade na América portuguesa foi muito pouco discutida. As decisões da Igreja Católica chegam à América Portuguesa com os primeiros missionários, mas só em 1707 foram redigidas as Constituições Primeiras do Acerbispado da Bahia, que passaram a reger a vida religiosa na colônia. Porém, a preocupação da Igreja Católica em controlar a vida social e espiritual dos habitantes da colônia era antiga, como comprovam as visitações do Santo Ofício da Inquisição. A sociedade colonial estava calcada em relações de miscigenação, entre os portugueses e suas escravas índias ou negras, por falta de mulheres brancas na colônia. Muitas dessas uniões estão relatadas nos papéis da Visitação. A Visitação do Santo Ofício à capitania de Pernambuco, em 1593-1595, gerou os depoimentos feitos ao inquisidor Heitor Furtado de Mendonça, que são de grande importância para o conhecimento dos hábitos, usos e costumes do século XVI. A presença de um inquiridor em Pernambuco veio a revelar a vida dos residentes de forma crua, bastante diferente da visão dos primeiros cronistas. Existem textos sobre as ditas “mulheres do mundo”, mulheres que faziam “mau uso do corpo”, fossem elas prostitutas ou infiéis ao marido. Entre os homens as fornicações eram práticas constantes, a dúvida pairava no teor do pecado. De acordo com Ronaldo Vainfas no livro Trópicos do Pecado, estes foram delatados ou pelas “devassas eclesiásticas, ou diretamente acusados aos comissários e aos familiares do Santo Ofício espalhados pelo Brasil”. A partir das Denunciações e confissões da Capitania de Pernambuco 1593-1595 e da bibliografia que citamos, pretende-se analisar a sociedade da capitania de Pernambuco durante o período da visitação do Santo Ofício, mais especificamente de que maneira ela se comportava diante do poder inquisitorial com relação ao sexo.