Revista Eletrônica dos Discentes do Mestrado em História da UFRN

 

Tema do dossiê: A rejeição ao outro: espaços de não reconhecimento nas relações de alteridade

Somos todos iguais. A afirmação é comum nas culturas de tradição liberal. No entanto, embora ela seja repetida com muita frequência em todos os lugares, desde as conversas de bar até o debate acadêmico, sua transposição do plano discursivo para a realidade encontra barreiras. Somos todos iguais? Talvez seja a postura interrogativa mais adequada à narrativa histórica: há sempre um não reconhecimento do outro nas relações de alteridade. Historicamente, os encontros humanos foram frequentemente marcados por uma série de disputas em torno da ideia do que é o humano. O outro foi, não raras vezes, qualificado como bárbaro, como inumano, como inferior e, por conseguinte, como passível de ser dominado, explorado, subjugado.
As evidências das dificuldades de reconhecimento mútuo entre grupos humanos, no entanto, não são encontradas apenas no Mundo Antigo, quando a cultura greco-romana considerava como bárbaros todos que partilhavam de uma maneira de ver o mundo diferente da sua, negando-lhes o estatuto de igualdade. Essas evidências se manifestam também na história do tempo presente e nas culturas ditas liberais: na xenofobia; nas fronteiras de reprodução do grande capital, com a destruição moralmente injustificada dos grupos indígenas; na negação do reconhecimento de cidadania efetiva a mulheres, negros e homossexuais; nas violentas disputas religiosas; no terrorismo e, igualmente, na guerra ao terrorismo; na segregação dos pobres, tangidos pelas classes hegemônicas para as periferias das cidades. A partir de uma perspectiva espacial e por meio da mobilização de um referencial teórico próprio desse campo, como fronteira, nação ou cidade, por exemplo, é possível contribuir de maneira significativa para a compreensão das tensões nas relações de alteridade. A ausência de reconhecimento do outro é tema de plena relevância em nosso tempo.
Portanto, a Revista Espacialidades, do Programa de Pós-Graduação em História da UFRN, convida você, pesquisador, para contribuir com a reflexão crítica a respeito desse tema, em um mundo onde o não reconhecimento e a intolerância tem avançado de maneira terrificante.

Propostas serão recebidas até o dia 17 de abril.

Contribuições deverão ser enviadas para espacialidades@gmail.com

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