Revista Eletrônica dos Discentes do Mestrado em História da UFRN

 

Novo volume no ar!!!

A rejeição ao outro: espaços de não-reconhecimento nas relações de alteridade

Chamada para o próximo dossiê: Por nomes e sobrenomes: biografias, acervos pessoais e história da família na produção dos espaços

“Brasília só pode estar aí como a vemos e já deixando entender o que será amanhã, porque a Fé em Deus e no Brasil nos sustentou, a todos nós, a esta família aqui reunida a vós todos candangos a que me orgulho de pertencer”. Este é um trecho do discurso inaugural de Brasília, proferido pelo então presidente Juscelino Kubitschek. A epígrafe abre, hoje, a visita ao Museu Vivo da Memória Candanga, em Brasília. Há neste museu um rico acervo sobre a memória dos candangos e de suas famílias, sujeitos que migraram de vários estados brasileiros para trabalhar na construção de um espaço emblemático: a nova capital federal para o Brasil. Família, memória, acervo, sujeito e espaço. É possível estabelecer uma relação entre estes conceitos? O uso da biografia, a partir do estudo de um sujeito ou grupo especifico, como fonte histórica, foi repensado pelos historiadores a partir de novos olhares, teóricos e metodológicos, introduzidos com a emergência da chamada Escola dos Annales. Os historiadores não mais utilizariam a biografia como forma de investigar apenas a vida e os feitos dos grandes homens, mas sim, como uma forma de análise do contexto social do biografado, saindo do plano individual para as ações coletivas. Portanto, a biografia histórica proporciona ao pesquisador o contato com diferentes sujeitos e organizações familiares, bem como uma análise de suas ações, compreendendo as estratégias de construção de acervos que atuam ou atuaram na consagração e preservação de memórias, individuais ou coletivas, e na invenção de espaços. Os acervos pessoais se apresentam como fontes valiosas de pesquisa, há muito renegadas pela historiografia, mas que hoje, devido a sua especificidade e potencialidade de informações, são imprescindíveis ao ofício do historiador. As contribuições da história oral, da biografia histórica, dos estudos de redes familiares e de associações sociais e políticas, possibilitam uma reflexão importante sobre o papel dos sujeitos e de grupos específicos na construção de memórias e na constituição de acervos, bem como de suas atuações e experiências em determinados espaços. As ações desses indivíduos ou grupos dão-se em vários espaços, sejam eles públicos ou privados, desde o Congresso Nacional ao espaço da casa, do lar. Ao mesmo tempo em que praticam esses lugares, os sujeitos e as organizações familiares participam da construção e produção de novos espaços, empiricamente e simbolicamente imaginados e demarcados, como foi o caso da atuação dos candangos na construção de Brasília. Neste sentido, a Revista Espacialidades receberá propostas que discutam a relação das biografias, dos acervos pessoais e da história da família na produção de espacialidades.

Propostas serão recebidas até o dia 30 de setembro.

Contribuições deverão ser enviadas para espacialidades@gmail.com

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